Por Renato Moura

O Papa Francisco inaugura, em dia de S. José, o Ano “Família Amoris Laetitia”. Acontece cinco anos depois da doação da Exortação Apostólica “A Alegria do Amor”. Fá-lo, certamente persistindo e insistindo, no que escreveu logo nas primeiras linhas da Exortação: “necessidade de continuar a aprofundar, com liberdade, algumas questões doutrinais, morais, espirituais e pastorais” de molde a “alargar a nossa perspectiva e reavivar a nossa consciência sobre a importância do matrimónio e da família”.

Este Pontífice, ao contrário de outros seus antecessores, ou de alguns teólogos, não desenvolve teses transcendentais, mas baseado numa experiência adquirida com os pés sobre a terra, compreende os problemas das pessoas, busca no Evangelho a doutrina de Jesus. Interpreta-a com a inspiração no amor de Deus, com verdade e simplicidade. Contribui sincera e abertamente para a reflexão, mas convoca para ela todos os agentes pastorais, os fiéis, as famílias. Abre uma oportunidade inédita de liberdade para o diálogo, tanto mais fecunda quanto menor forem a oposição e a resistência passiva – e irremissíveis – dentro da própria Igreja.

O Ano da Família é uma iniciativa dada como tendo o objectivo de difundir o conteúdo da “Amoris Laetitia” e assim se pode entender como uma nova oportunidade de suprir um valor insuficientemente aproveitado nestes últimos cinco anos. Estão anunciados iniciativas e recursos, definidos como destinatários as conferências episcopais, dioceses, paróquias, movimentos eclesiais, associações familiares; sobretudo as famílias de todo o mundo.

A Exortação tem uma excelente sistematização, muitos títulos facilitadores da consulta, mas é muito extensa. É por isso que o próprio Papa não aconselha uma leitura geral apressada, mas considera de maior proveito um aprofundamento paciente de uma parte de cada vez, ou então a procura de algum assunto específico.

No «Igreja Açores”, em 21 e 29 de Abril de 2016, respiguei citações da Exortação, partilhei reflexão, creio ainda hoje pertinente: acompanhar discernir e integrar a fragilidade (cap. VIII).

Aconselho vivamente a leitura completa do documento, por temas, em reflexão muito pausada. Aproveitem a virtude de Francisco escrever de molde a todos poderem ler e compreender. Beneficiem, uma vez mais, da graça de entender os ensinamentos de Jesus transmitidos no Evangelho, através das interpretações deste nosso Papa.  Usufruam de todas as oportunidades até 26.06.2022. Criem outras em família ou entre amigos.

Ajudemo-nos a construir esperança.