D. João Lavrador encerrou encontro que reuniu especialistas em Fátima, preocupados com “crise de dirigismo”

O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) debateu hoje em Fátima, na sua jornada anual, as “virtudes e riscos” do desporto, sublinhando a capacidade de mobilização desta realidade e a sua capacidade de inspirar valores e virtudes.

O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, D. João Lavrador, elogiou a “oportunidade” desta reflexão a menos de duas semanas do início do Campeonato do mundo de Futebol 2018, na Rússia.

O bispo de Angra destacou a importância do desporto na edificação da sociedade e da vida individual, lamentando “as imagens negativas” que escondem os “verdadeiros valores” do desporto.

Segundo este responsável, o tema escolhido para a jornada de 2018 procurou criar uma maior consciência para a “valorização do desporto em benefício da pessoa e da sociedade”, tendo como objetivos a promoção da dignidade de cada pessoa e o “bem comum”.

No encerramento dos trabalhos, D. João Lavrador sublinhou “o valor que o desporto tem na edificação da pessoa, as suas implicações na cultura e na sociedade”.

“O desporto manifesta a realidade da sociedade”, acrescentou.

José Carlos Seabra Pereira, diretor do SNPC, sublinhou por sua vez que esta é uma “questão candente para os ritmos e opções da sociedade atual”, que precisa de ser valorizado como elemento central na “educação integral” dos indivíduos.

O primeiro conferencista foi Tomaz Morais, antigo selecionador nacional de Râguebi, alertou para uma “crise de dirigismo” no desporto português, acreditando que, se “os riscos são muitos, as potencialidades são mais”.

“O dirigente tem de ser o ponto mais alto numa instituição, na transmissão de valores”, sustentou.

O especialista lamentou o que classifica como marca “mercantil” que desvirtua os valores da prática desportiva, como a persistência ou a humildade.

A intervenção passou em revista o percurso pessoal de Tomaz Morais, vindo de Angola, com os pais, quando teve de “começar de novo” em Carcavelos, encontrando amigos de todos as origens “graças a uma bola”.

“O desporto ensinou-me a ser tolerante” e “respeitador dos adversários”, relatou.

O antigo selecionador e jogador de râguebi falou no risco de o desporto ser visto como “apenas mais um aspeto mercantil” das vidas, onde só interessa “ganhar”.

Após lamentar a “pouca presença” do desporto na vida política e escolar, rejeitando a ideia, por exemplo, de castigar crianças por causa de más notas com uma proibição da prática desportiva.

Neste contexto, pediu condições para que o desporto “seja realmente importante” e desejou que os pais, por exemplo, saibam cumprir o seu papel de “ajudar a que os jogos se desenrolem” e não “ganhar para eles próprios”, usando os mais novos.

O encontro contou ainda com uma conferência do escritor Gonçalo M. Tavares e dois painéis, com o padre e atleta Ismael Teixeira, conhecido como “iron priest“; o jornalista Ribeiro Cristóvão; a antiga campeã mundial de canoagem Beatriz Gomes; e Jorge Gabriel, apresentador de televisão que já foi treinador de futebol.

O Vaticano apresentou esta sexta-feira um novo documento sobre o desporto, da responsabilidade do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (Santa Sé).

O texto tem como título ‘Dar o melhor de si. Sobre a perspetiva cristã do desporto e da pessoa humana’.

A jornada nacional do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura foi o momento escolhido pela Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais para a entrega do ‘Prémio Árvore da Vida-Padre Manuel Antunes’ que este ano distingue o ator Ruy de Carvalho.

(Com Ecclesia)