André das Neves Afonso entende os museus como espaços «Átrios dos Gentios»

O autor do livro «Museus da Igreja – Missão pastoral e cultural» explicou que propõe casos “muito concretos de ideias de evangelização, catequese” para a Igreja “expor o património” a partir de projetos para a comunidade.

“A proposta, que parte deste livro mas de outras investigações, é que a Igreja tem de expor o património de outra forma. Tem que ter uma narrativa expositiva que faça sentido e que parta da natureza catequética, teológica a partir de um determinado aspeto da doutrina ou da liturgia, por exemplo”, disse André das Neves Afonso sobre a obra apresentada esta quinta-feira, em Lisboa.

À Agência ECCLESIA, o autor de «Museus da Igreja – Missão pastoral e cultural» alertou que hoje um museu “não é apenas um arquivo de objetos” mas tem de saber dinamizar as suas funções para a comunidade e, neste ponto, reside um dos “grandes problemas” destas estruturas da Igreja.

“Por vezes de pouco serve ter os objetos bem expostos, com boas narrativas, mesmo como o tesouro da Sé de Lisboa, uma narrativa interessante que parte do Ano Litúrgico mas tem de sair”, exemplifica.

Neste contexto, André das Neves Afonso frisa que os museus da Igreja “não podem ficar parados” no seu património e nas mesma “vitrinas repelas de objeto” mas têm de ser dinamizados através de diversos projetos, por exemplo, “na área da comunicação ou educação”

“Aqui residem alguns aspetos importantes, a museologia contemporânea desde há algum tempo que começa a centrar a atenção dos museus não nos objetos mas nas pessoas, nas comunidades que serve”, contextualiza o mestre em Museologia e Museografia.

O também colaborador da Comissão Diocesana de Arte Sacra de Setúbal revela que vê os museus como espaços “abertos e não exclusivos, exemplificando com o Átrios dos Gentios, que podem ser lugar de “debate” e apresentar projetos interessantes.

“Mais do que expor é um espaço onde se podem fazer coisas interessantes pastoralmente”, observa, acrescentando que existem projetos “muito interessantes” por todo o país.

O livro «Museus da Igreja – Missão pastoral e cultural» resulta das conclusões de um estudo de mestrado e parte de uma “reflexão teórica geral” mas depois desenvolve uma “dimensão mais de estudo de caso”, em relação ao Patriarcado de Lisboa.

O historiador de arte José António Falcão, da Diocese de Beja, assina o prefácio e à Agência ECCLESIA destacou a “verdadeira lufada de ar fresco” que é a nova publicação.

“É uma obra que coloca o problema dos museus da Igreja na sua dimensão exata. Mostra um conjunto de estruturas que fazem parte do mundo da cultura mas que são também um excelente instrumento catequético e sobretudo um veículo de ligação às comunidades”, acrescentou.

Para o também diretor do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja o livro lança um “desafio” que é necessidade de se criarem redes de museus que são uma “solução para muitas dioceses”.

A publicação tem a chancela Paulus Editora e o diretor-geral da revelou que o interesse na publicação da obra surgiu pelo facto de ser um “projeto pastoral e de evangelização” que hoje “se pretende” com os espaços museológicos.

 

“Sabemos que hoje se evangeliza muito através da cultura porque é transversal, para crentes e não crentes. Onde as pessoas podem evocar de forma especial mais esta dimensão eclesiástica”, acrescentou o padre Rui Tereso.

CR/Ecclesia