De visita à paróquia da Matriz de São Miguel Arcanjo, já na reta final da visita pastoral à ouvidoria de Vila Franca do Campo, D. Armando Esteves Domingues fez um apelo direto aos estudantes: usar a tecnologia sem perder a liberdade de pensar. “Não deixem que sejam as máquinas a pensar por vocês”

A antepenúltima jornada da visita pastoral do bispo de Angra à primeira capital da ilha, esta sexta-feira, centrou-se na fé, na educação e na realidade social local, cruzando momentos celebrativos com encontros institucionais na paróquia da Matriz de São Miguel Arcanjo. O encontro com os jovens da Escola Básica e Secundária Armando Côrtes-Rodrigues trouxe o tom mais incisivo do dia. Perante uma geração imersa no digital, o prelado diocesano deixou um alerta firme: “Aprendam a pensar, a raciocinar, a ver a causa das coisas… não se deixem anular pela IA”. Ainda assim, reconheceu o valor das tecnologias: “São importantes e úteis, mas não substituem a criatividade humana”.
Aos professores, destacou a missão educativa como essencial num mundo “que tende a anular a diferença”.
“Sem o artista, sem avossa mão, o vosso cuidado, eles não se fazem”, afirmou, numa metáfora sobre o papel dos educadores na formação dos alunos. E reforçou: “A liberdade da consciência deve ser o grande orientador dos professores”.
Durante o dia, houve também espaço para partilha pessoal. Numa aula de Educação Moral e Religiosa Católica, evocou uma experiência marcante da juventude: “O que fizeres a cada um dos mais pequenos, a mim o farás”. A partir dessa vivência, concluiu: “Cada frase do Evangelho é amor… quando a vivemos, descobrimos Deus”.
Na Eucaristia, com que iniciou a visita pastoral à paroquia central da ouvidoria, a mensagem já tinha aflorado esta temática. A partir da liturgia de hoje sublinhou que : “Não há santos sem a Eucaristia” e a vida cristã constrói-se num caminho contínuo.
“Não estamos feitos para Deus, vamos-nos fazendo ao longo da vida” afirmou, num convite à conversão, em que insistiu na necessidade de “abrir os olhos da alma” e aproximar-se de Cristo.
A visita pastoral passou ainda pela realidade social da freguesia de São Miguel, onde foram identificados desafios como a habitação e a “pobreza envergonhada”.
“As pessoas vêm pedir, mas com vergonha”, referiu-se, sublinhando que “a proximidade faz conhecer” e permite responder melhor às necessidades.
No plano do desenvolvimento local, destacou-se a candidatura do Santuário de Nossa Senhora da Paz às sete maravilhas de Portugal, vista como oportunidade para o turismo religioso. “Estamos confiantes”, foi a nota deixada pelos responsáveis autárquicos envolvidos na candidatura. Foi na Câmara, depois da apresentação de cumprimentos, que começou o périplo pelas instituições civis em Vila Franca do Campo.
Entre as instituições visitadas, como a Casa do Povo de Vila Franca do Campo e a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Vila Franca do Campo, ficou evidente a importância do trabalho em rede. Nesta última, que acompanha mais de uma centena de casos, ficou uma imagem simbólica: “Para cresceres bem alto e tocar o céu, tens de ter raízes fortes”. É o lema da campanha que a Comissão adotou a partir do trabalho no terreno e que inspira todos os seus colaboradores.
Durante o dia, D. Armando Esteves Domingues passou ainda pela Corretora, conserveira do concelho, onde almoçou; pela Casa do Povo, pela Cáritas de Vila Franca e pela Crença, o jornal que é propriedade da paróquia de São Miguel Arcanjo.
A visita pastoral termina no domingo com uma grande celebração às 20h00 na Igreja Matriz.
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