Por Renato Moura

Disse-o há dias, no Vaticano, durante uma audiência pública, perante milhares de peregrinos e visitantes, de volta ao tema da misericórdia divina, afirmando que “a Igreja não é uma comunidade de pessoas perfeitas, mas de discípulos a caminho, que seguem o Senhor porque se reconhecem pecadores e necessitados do seu perdão”. Com esta afirmação Francisco manifestamente transmite orientação no sentido de se acolherem também os imperfeitos, pois com a humildade de reconhecerem que o são desejam o perdão de Deus.

Prosseguindo, de forma directa e corajosa, a orientação do seu pontificado, que vem aliás na sequência da sua conduta antes da escolha para assumir a condução dos destinos da Igreja, o Papa Francisco aproveita todas as oportunidades para catequisar.

Fá-lo, embora sabendo que a atitude de acolhimento não é compreendida “por quantos têm a presunção de se julgar «justos», de achar que são melhores que os outros”, e depois adverte que “a soberba e o orgulho são um muro que impede a relação com Deus”.

Creio que ninguém duvida que o nosso Papa quer que todos percebam a sua mensagem, transmitida em nome de Deus, usando uma linguagem muito simples e exemplificativa. Nesta audiência recorreu mesmo ao evangelho e ao exemplo de Mateus, que apesar de ser considerado um pecador público, Jesus o chamou para se tornar seu discípulo, permitindo isso concluir que o Mestre assim “mostra aos pecadores que não olha para o seu passado, condição social ou convenções externas”.

Está demonstrado que Francisco soube muito bem a razão por que instituiu o ano da misericórdia e não se cansa, mesmo que contra ventos e marés, de contínua e persistentemente doutrinar pastores e leigos, tendo o objectivo de a instituição produzir frutos espirituais e consequências práticas.

Sempre reafirmando as mensagens de esperança e as interpretações da vontade de Jesus expressas na Exortação Apostólica «Amoris Laetitia” esclarece a estrutura eclesial – e certamente orienta, se é que não impõe – que “diante de Jesus, nenhum pecador deve ser excluído – nenhum pecador deve ser excluído! – porque o poder purificador de Deus não conhece enfermidades que não possam ser curadas”; e aos crentes anima e apela “e isto deve dar-nos confiança e abrir o nosso coração ao Senhor, a fim de que venha e nos cure”.

O Papa ensinou ainda que “na comunidade cristã, a mesa de Jesus é dupla: há a mesa da Palavra e a Mesa da Eucaristia” e “são estes os remédios com que o Médico Divino nos cura e nos alimenta”. Que não faltem a ninguém!