Novos dirigentes do CNE querem ser “agentes de mudança” comprometidos  com “um ambiente seguro, inclusivo e inspirador para todos os escuteiros”

Foto:Igreja Açores/EM

A nova  Junta regional de Núcleo nos Açores tomou posse esta sexta-feira. Bispo de Angra pede uma evangelização que “ilumine e dialogue” com o mundo de hoje: “nunca filtreis a forma como o jovem quer chegar a Cristo, perguntai-lhe, ouvi-o”

“Juntos na aventura, comprometidos com o futuro” é o lema da equipa dirigente da nova Junta Regional dos Açores do CNE, liderada por João Carlos Tavares, que foi reeleito e que esta sexta-feira tomou posse, na ilha Terceira .

“Esta equipa compromete-se a trabalhar com todos para explorar novas possibilidades, definir metas claras e comprometida com o desenvolvimento dos jovens e do movimento escutista como um todo” afirmou na sessão de tomada de posse João Carlos Tavares, lembrando que esta disponibilidade encerra também um convite à corresponsabilidade de todos.

“É um convite a uma gestão participativa, colaborativa e orientada para o crescimento e sucesso sustentado do escutismo na Região dos Açores, com uma visão: que os Jovens escuteiros dos Açores, sejam agentes ativos de mudança nas suas comunidades locais, tornando-se socialmente mais comprometidos”.

O Lema, disse, é “um convite a unir forças e enfrentar os desafios que os tempos nos apresentam. A palavra `juntos´ destaca a importância da colaboração e do trabalho em equipa, reconhecendo que somos mais fortes quando estamos unidos. A palavra `aventura´ remete-nos para uma jornada emocionante e cheia de descobertas, onde podemos explorar novos caminhos e superar limites”, afirmou João Carlos Tavares, apontando ao futuro.

“Isso significa que não devemos apenas viver o presente, mas também pensar nas gerações futuras e no impacto que as nossas ações têm sobre elas”, disse ainda.

“Somos chamados a agir de forma responsável, cuidando do meio ambiente, promovendo a justiça social e contribuindo para um mundo melhor”, salientou.

“A equipa deve estar comprometida em criar um ambiente seguro, inclusivo e inspirador para todos os escuteiros, promovendo o seu crescimento pessoal e a sua formação enquanto pessoas plenas de direitos e deveres, comprometidos e empenhados numa sociedade que se quer cada vez mais justa e promotora da paz”, esclareceu o dirigente escutista, lembrando que a equipa está aberta “a explorar novas ideias, métodos e abordagens, procurando constantemente inovar e melhorar”.

O desenvolvimento sustentável, a criação de parcerias com entidades que atuam no campo juvenil, desenvolver o Projeto Educativo do CNE em toda a Região , mobilizar e capacitar os Recursos Adultos, modernizar os procedimentos e o funcionamento interno, na formação e na gestão de recursos , afetar recursos financeiros e patrimoniais na ação pedagógica e formativa da Região, criar canais de Comunicação eficientes entre a Junta Regional, Núcleos e Agrupamentos, proporcionar aos Jovens Caminhos de Felicidade e de enriquecimento pessoal, fazer dos escuteiros agentes de educação ambiental e exemplo de sustentabilidade são algumas das metas que a nova Junta se propõe alcançar.

Na concelebração, que integrou a tomada de posse, o bispo de Angra desafiou os escuteiros a serem agentes de evangelização no mundo atual, sem se fixarem em modelos do passado ou deixar-se seduzir pelas correntes do presente.

“Esta nossa cultura é um dom. Evangelizar a cultura não significa julgá-la, mas aproveitar os espaços onde as pessoas vivem, sair para as ruas onde as pessoas lutam, trabalham, estudam e sofrem; habitar as cidades onde os seres humanos partilham o que faz sentido para as suas vidas, sobretudo no mundo mais difícil e decisivo das novas gerações” disse D. Armando Esteves Domingues.

“Temos muitos motivos para preocupação: a globalização lançada , que é tão imperfeita e que nos revela um período da história em que se pensa organizar a sociedade globalmente sem Deus”, reconheceu o prelado mas lembrando que “organizar sem Deus é o desafio que nos é colocado pelos tempos de hoje”.

A Igreja precisa ser  “fermento de diálogo, de encontro e de unidade. Não devemos ter medo do diálogo. É no confronto e na crítica que impedimos que a Teologia , a forma como falamos de Deus, se transforme em ideologia, qualquer coisa que queremos vender à força”, disse ainda.

“O desafio novo, que nos é colocado na vida da Igreja, é  fazermos uma evangelização que ilumine  novas formas de relacionamento com Deus, com os outros, com a natureza e que suscite valores fundamentais e transversais” sublinhou o bispo de Angra destacando a “obrigação dos cristãos, os que levam Cristo no coração e na alma”.

“Podemos caminhar com todos, escutar a todos, desenvolver parcerias, mas é mais do que isso: o convite é para chegarmos a todos, aqueles ambientes onde se formam novas narrativas e paradigmas, atingindo o mais profundo da alma, nas cidades, nos espaços onde vive o homem”.

“Só se pode anunciar Jesus habitando a cultura do próprio tempo”, enfatizou, alertando ainda para o facto de Deus “não se anunciar aos gritos mas com a linguagem do amor”.

“O zelo apostólico é o testemunho do evangelho que está vivo”, disse.

Na reflexão proposta aos novos dirigentes que tomaram posse, D. Armando Esteves Domingues convidou-os a revisitar sempre o evangelho e a encontrar nele, a partir das circunstâncias do dia-a-dia as razões novas da sua esperança e da fé.

“Mais do que querer converter o mundo de hoje é preciso converter a forma como vivemos a pastoral de evangelização para que ela encarne melhor o evangelho no mundo de hoje”, sem julgamentos.

“Educar é colocar no coração aquilo que realiza o jovem como pessoa. E o cristão sabe que Cristo é imprescindível porque o experimenta. Experimentai este Cristo, nunca filtreis a forma como o jovem quer chegar a Cristo, perguntai-lhe, ouvi-o…Ouvir, decidir junto, valorizar o outro, ajudar o outro para que ele dê o máximo…”, foi o pedido deixado no final pelo Bispo de Angra.

“Não há escutismo sem Cristo… Acreditamos num Deus que caminha connosco, que escuta o grito de todos, que cura as feridas interiores para que as exteriores não matem, que o seu serviço é ao homem e ao jovem concreto, na nossa cultura, com os riscos e as dores que ela tem, sinodal como a família e como a Igreja deve ser não por instinto ou porque alguém manda,  mas por convicção”, concluiu.

Nos Açores existem 73 agrupamentos do CNE, cerca de 500 dirigentes e mais de quatro mil escuteiros. Os agrupamentos mais antigo e recente são da ilha Terceira: o aprupamento 23 da Praia da Vitória e o de Porto Martins, respetivamente.

(Com Elson Medeiros)

 

 

 

 

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