Por Renato Moura

Preocupado com a nossa preparação, neste Advento, para a celebração do Natal, o Papa Francisco conduz-nos à reflexão. Reconhecendo que se trata de um período de grande alegria, faz-nos contudo recordar que o Natal é um acontecimento religioso e exige uma preparação espiritual.

Há que examinar a nossa consciência, avaliar as nossas atitudes. O Papa quer Deus no meio de nós para a todos libertar do egoísmo, da corrupção, do pecado. Condenou a sede de riqueza, o sucesso a todo o custo e o poder à custa dos mais débeis. Apelou a uma mudança de vida.

Já o ano passado o Sumo Pontífice chamou farsa a algumas atitudes festivas no Natal, lembrando que embora se diga festejar a paz, há quem fomente conflitos quotidianos e opte pelo ódio e pela guerra, causando destruição, sofrimento, mortes e vítimas inocentes como são as crianças. Infelizmente as afirmações continuam actuais.

Mas o nosso Papa não perde as oportunidades para relembrar a misericórdia de Deus. Nas célebres homilias na Casa de Santa Marta, novamente esta semana, Francisco conforta-nos e atrai-nos demonstrando que Deus quer que voltem a Si as “ovelhas perdidas”. Recorrendo à interpretação do Evangelho considerou que a “mais perfeita ovelha perdida” foi Judas, que sendo um dos primeiros bispos entregou Jesus para o julgamento e execução, mas apesar disso Jesus não o insultou e ainda assim o chamou de “amigo”, no preciso momento da traição.

É com este fundamento que o Papa quer que a Igreja procure, e considera que nós devemos, “entender as ovelhas perdidas” pois “também nós temos algo pequeno ou nem tanto, de ovelhas perdidas”. Recolhe como sempre a orientação do Evangelho, que tivemos a oportunidade de voltar a recordar numa eucaristia desta semana, quando Jesus enalteceu a procura da ovelha tresmalhada e elogiou a alegria que se segue ao respectivo encontro.

Nós próprios, os que nos são próximos, fomos ou poderemos ser ovelhas tresmalhadas. Mas como já nos instruiu o Santo Padre, “o lugar privilegiado para o encontro com Jesus Cristo são os nossos próprios pecados”, pois que a palavra de Deus nos dá a segurança de que esse encontro sincero e total é capaz de mudar a nossa vida.

Retenhamos que, no seu percurso terrestre, Jesus perdoou sempre, de modo evidente, a tantos, por reconheceram a verdade dos seus pecados, ou simplesmente por no seu íntimo terem fé, apesar de os seus concidadãos julgarem que eles não eram merecedores, pois como também diz o Papa “Quem não conhece as carícias do Senhor não conhece a doutrina cristã”.