Sacerdote é professor de Sagrada Escritura no Seminário Episcopal de Angra

Há como que o despertar para “um lado mais humano do Natal que é bom” mas os cristãos fazendo parte dessa enorme família devem aproveitar este tempo para dar espessura à dimensão espiritual e ao verdadeiro encontro com Jesus, afirmou ao Igreja Açores o Cónego Ricardo Henriques, professor de Sagrada Escritura no Seminário Episcopal de Angra.

“Se é o nascimento Dele que estamos a celebrar então devemo-nos encontrar de uma forma mais profunda com Ele para melhor o celebrarmos” afirma o sacerdote que é pároco in solidum na Catedral de Angra.

Instado pelo Igreja Açores para refletir sobre este novo tempo litúrgico que começa no próximo domingo, o Advento, o Cónego Ricardo Henriques lembra o significado desta “espera” que conduz até ao Natal do Senhor e destaca que apesar do materialismo reinante nas nossas sociedades “há hoje um despertar para um lado mais humano e familiar do Natal”.

“Isso é bom, mas não podemos ficar só na celebração da família. Há que dar uma dimensão cristã dando uma maior abertura a Ele (Jesus), e reforçar a dimensão espiritual interior que dará por certo  uma outra dimensão no dar-se aos outros”, refere

A Igreja Católica determina que até à celebração do Natal, a 24 de dezembro, os católicos possam viver um caminho de preparação, denominado de Advento, para libertar o Natal do risco da banalidade, como a grande festa do Encontro “connosco próprios, com a Família e com Jesus, que é a razão desta celebração”, acrescenta.

“Este é um tempo de preparação para a vinda de Jesus e por isso temos de nos preparar para o receber nas nossas vidas e nos nossos corações” acrescentou.

No próximo domingo começa o Advento e com ele um novo tempo litúrgico. O Igreja Açores vai dar voz aos ouvidores das 16 ouvidorias da diocese de Angra para falarem sobre a forma como cada uma das suas comunidades preparar o Natal. Entretanto, o Secretariado Nacional da Liturgia (SNL) acaba de publicar um livro que apresenta o mistério do Natal de uma maneira, “simultaneamente, profunda e acessível”.

“Um livro que trate do Natal deverá revestir-se de simplicidade, alegrar o coração dos leitores e infundir neles sentimentos profundos de paz, à semelhança da paisagem física dos arredores de Belém. Daí, em grande parte, a responsabilidade da sua feitura e o risco dos seus autores”, lê-se na apresentação da obra publicada este mês.

Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, o SNL explica no livro ‘A Celebração do Mistério do Natal’ que a abordagem a esta temática “pode parecer simples e quase familiar”, como simples e familiar foi o Nascimento de Jesus em Belém, se abstrair-se as “prescrições imperiais do recenseamento imposto pela Roma dos Césares, e também das circunstâncias locais, frias e inóspitas, que rodearam a Natividade”.

“A história das celebrações natalícias não podia deixar de ser estudada, uma vez que sem o passado não se compreende o presente, nem se descobre a identidade de um povo ou mesmo de uma pessoa”, observa o secretariado católico.

A nova edição conta com um apêndice de textos escolhidos da Patrísticos, “relativos ao Advento, Natal, Epifania e Batismo do Senhor”, e do Magistério da Igreja pós-conciliar, do Papa São Paulo VI e São João Paulo II, do Papa emérito Bento XVI e de Francisco.

O índice informa que o leitor vai ainda ter informação sobre o “tempo e liturgia”: Introdução ao Ano Litúrgico; O Tempo do Advento; Espiritualidade do Advento; Mistério do Natal; A celebração litúrgica do Natal do Senhor; A Oitava do Natal; O Natal e a Epifania através dos tempos; A Celebração da Epifania.

O Secretariado Nacional da Liturgia (SNL), da Igreja Católica em Portugal, espera que ‘A Celebração do Mistério do Natal’ possa cumprir os seus “objetivos pastorais e completar”, esclarecendo, aquilo que “a devoção popular tão belamente canta” quando diz que o Menino entrou na Virgem Maria e dela saiu “como o sol pela vidraça”.

(Com Ecclesia)