Quando me pediram um texto sobre os dois anos de pontificado do Papa Francisco, pensei se seria capaz de tal.

Da pequenez desta ilha e das minhas limitações, conclui, em primeiro lugar, que não teria estatuto para isso.

Mas depois, olhando para aquilo que têm sido estes dois anos e a mensagem de Jesus Cristo, rapidamente percebi que a igreja desenhada por Deus é feita por todos, mesmo pelos pequeninos. Os olhares do Papa Francisco, que muitas vezes os fotógrafos captam, são de acolhimento e não podemos recusar, como membros desta Igreja, a mão que é estendida.

Dos dois anos de pontificado há muitas frases, imagens e posições do Papa Francisco que ficarão para a história. Olhando para trás vê-se que tudo isso implica nas nossas de vidas de cristãos, e eu vejo, e quero hoje refletir sobre isso, a partir de dois prismas: como catequista e como jornalista.

Em primeiro lugar, na missão de evangelizar o Papa Francisco é uma das vozes que mais sentido faz ressoar. Várias vezes tenho mostrado aos catequizandos e jovens que acompanho, as perspetivas do Papa Francisco. Muitos podem pensar que nestas faixas etárias não se compreende o que é dito pelo sumo pontífice. Até pode acontecer que não se abarque toda a dimensão do que é dito, mas quantos de nós o conseguem? Para mim, é preciso aproximarmo-nos todos do centro da Igreja e esta é uma forma de transmitir aos mais novos quem é um dos exemplos que temos a seguir.

Depois, a vertente humana que muitas vezes o Papa Francisco deixa revelar só pode ser motivo de identificação. É preciso conhecer a Igreja fundada por Jesus Cristo e como foi que esta nasceu, contudo é fundamental perceber como esta sobrevive nos dias de hoje. E a forma como o Papa Francisco se posiciona perante os problemas atuais é a prova de que a Igreja não está morta. Continua sim a acompanhar quem precisa e a orientar quem vacila perante a realidade. O olhar humano do Papa Francisco aproxima-nos do representante de Deus na Terra fazendo-nos recordar o verdadeiro homem que Jesus se revelou na morte de Lázaro. Não distante mas amigo dos seus amigos.

Em segundo lugar, deixo a visão de jornalista sobre o Papa Francisco. É sem dúvida um verdadeiro fator de notícia. Por onde anda, o que diz, o que faz é tudo motivo de reportagem.

Mas tenho de reconhecer que nem sempre tudo corre bem. Citações cortadas, contextos mal definidos ou falta de conhecimento nem sempre ajudam na passagem da mensagem que o Papa Francisco anuncia. E isto basta para aqueles que têm pedras à sua disposição começarem a atirá-las.

Dificilmente alguma coisa se poderá alterar e penso, sinceramente, que vale a pena correr o risco. A força dos média tem de continuar a ser usada pelo Papa Francisco para que a evangelização, que ele diariamente faz, chegue aos quatro cantos do mundo.

Como escolhido, só esperamos coisas boas deste pastor. Devemos todos orar por este pontificado mas a verdade é que as nossas orações não nos podem esquecer pois todo o Bom Pastor precisa de boas ovelhas.

Leonarda Dias (Membro do Conselho Pastoral Diocesano pela ouvidoria do Faial)