Já o Concílio Vaticano II reconhecia a necessidade de reformas.

Jorge Bergoglio afirmou “Há no seio das religiões sectores internos tão prescritivos que esquecem o lado humano (Sobre o Céu e a Terra, 2010)”. Quando os cardeais “foram buscá-lo ao fim do mundo”, para Papa, Deus esteve entre eles.

O Papa Francisco com indícios reformistas, sinalizou o futuro e captou adesão. Para acreditar nas reformas bastará cingir-nos às primeiras páginas da Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (EG).

É altamente relevante o facto de a EG “indicar caminhos para o futuro nos próximos anos” e assim se dirigir ao episcopado, ao clero, às pessoas consagradas e aos fiéis leigos, expressamente incluindo “o Papado e as estruturas centrais da Igreja universal”. Exortou através de um documento com “significado programático” e com o objectivo de ter “consequências importantes”, tudo tendo em vista “avançar no caminho de uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão”.

O Papa Francisco escreveu a EG com uma linguagem acessível e eficaz; e o manancial de citações dos textos bíblicos e de outros documentos da Igreja, por si só, constituem um rico compêndio para a reflexão sobre a mensagem de Jesus, pois que “a alegria do Evangelho é para todo o povo, não se pode excluir ninguém”. Relevando a evangelização face à autopreservação, o Papa “sonha com uma opção missionária capaz de transformar tudo”.

A EG exorta para um caminho de discernimento, de purificação e consequentemente de reforma e o Papa Francisco tem a coragem de exigir que se abandone o critério do “fez-se sempre assim”, pois “há normas ou preceitos eclesiais que podem ter sido muito eficazes noutras épocas, mas já não têm a mesma força”; afirma que há uma “hierarquia” das verdades da doutrina e recorda que S. Tomás de Aquino sublinhava que os preceitos dados por Cristo e até pelos Apóstolos “são pouquíssimos”; preocupa-se por se falar “mais da lei que da graça” e “mais da Igreja que de Jesus Cristo” e cita Santo Agostinho “os preceitos adicionados posteriormente pela Igreja se devem exigir com moderação «para não tornar pesada a vida dos fiéis» nem transformar a nossa religião numa escravidão”. Demonstra também uma grande preocupação por incluir e justificadamente interpreta a mensagem de Jesus, de que o amor e salvação prometida por Deus são oferecidos a todos “para além dos seus defeitos e quedas” e assim considera que todos devem participar de alguma forma na vida da Igreja.

O Papa Francisco deixou uma mensagem de esperança no futuro ao afirmar que “nem sequer as portas dos sacramentos se deveriam fechar por uma razão qualquer” e cremos que a pensar “como Jesus pensava” declarou “a Eucaristia, embora constitua a plenitude da vida sacramental, não é um prémio para os perfeitos, mas um remédio generoso e um alimento para os fracos”.

O pontificado é ainda curto, mas já repleto de significado. Justifica-se o apelo de rezarmos por ele; com fé de se cumprir o que Deus quer para a Sua Igreja.

 

Renato Moura, membro do Conselho Pastoral Diocesano em representação da ouvidoria das Flores