Bispo de Angra foi investido Cavaleiro Grande Oficial

Decorreu hoje em Ponta Delgada a cerimónia de velada de armas e investidura de novos cavaleiros e damas da Ordem do Santo Sepulcro, presididas pelo bispo de Angra, D. João lavrador, quatro anos depois da mesma cerimónia ter decorrido na Sé de Angra.

O próprio prelado açoriano foi investido no grau de Cavaleiro Grande Oficial e com ele foram investidos noutros lugares da ordem, mais dois sacerdotes-  o Cónego Hélder Fonseca Mendes e o Pe. Nemésio Medeiros- e alguns leigos.

A Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém, que em Portugal possui cerca de três centenas de membros, é uma associação de fiéis leigos aberta aos eclesiásticos, estabelecida com base no Direito Canónico, à qual é confiada, pelo Papa, a missão especial de assistir a Igreja da Terra Santa e de estimular nos seus membros a prática da vida cristã.

Nos últimos dez anos a Ordem angariou mais de 50 milhões de dólares, entre os seus membros espalhados pelos cinco continentes (embora em África exista apenas uma Delegação Magistral devido ao número reduzido de membros), nas suas 52 Lugares Tenências, para auxiliar a Igreja Católica do Patriarcado Latino, que superintende todas as Igrejas católicas de quatro países do Médio Oriente, sobretudo na construção de escolas, de seminários e de infraestruturas de apoio à minoria católica nestas paragens.

Da ordem fazem parte, sobretudo, pessoas influentes, “católicos integrados nas suas comunidades paroquiais e diocesanas”, comprometidos com a fé e a espiritualidade mas que ajudam materialmente a sobrevivência da Igreja Católica do Médio Oriente .

O cerimonial desta investidura obedece a um ritual complexo que começa com uma Vigília e Velada de Armas, com exposição do Santíssimo, bênção das insígnias e capas dos Candidatos e entrega dos diplomas aos Cavaleiros e Damas que foram promovidos, assim como as condecorações concedidas.

Na Missa Pontifical da Investidura, presidida por D. João Lavrador, celebrada ao final da manhã de sábado, na Igreja Matriz de São Sebastião, em Ponta Delgada, o bispo de Angra referiu a importância de existirem testemunhas “verdadeiras” do Evangelho num mundo “tão cheio de si mesmo, no qual o homem parece que se quis apoderar de toda a obra criadora, colocando-se no lugar de Deus”.

“É urgente recuperar esta verdade absoluta e necessária para uma correcta inteligência da criação e da referência constante da vida humana à Graça divina”, explicitou o prelado diocesano.

“Perante as dúvida,  que são fruto da discrepância entre o chamamento que Deus dirige à pessoa humana e as capacidades de cada um, o sim que forçosamente tem de saltar do nosso ser, numa entrega total à vontade de Deus, apoia-se tão só na presença constante do Espirito Santo na vida e na acção evangelizadora a que somos chamados” sublinhou o bispo de Angra.

D.João Lavrador destacou “os enormes desafios” que o mundo de hoje coloca aos cristãos a quem pediu para não terem medo.

“Perante um cultura agressiva e intolerante, perante uma sociedade onde reina tanta injustiça e desigualdade, perante tanta desumanidade com que nos deparamos no dia a dia, necessitamos de serenar o nosso espirito para que, lucida e sabiamente, saibamos escutar o querer de Deus que inspirará a nossa inteligência não à maneira do mundo mas segundo o Seu Espirito” disse ainda o prelado.

O responsável pela Igreja Açoriana reforçou a importância de que esse testemunho seja dado pela vida, que será “mais convincente do que todas as palavras”.

“Esta celebração reveste-se de particular significado para todos nós sobretudo para aqueles que se vão comprometer com Deus e com a Sua Igreja, na fidelidade á sua doutrina, na adesão aos valores evangélicos e no testemunho cristão no meio do mundo”, concluiu.

As origens da Ordem do Santo Sepulcro remontam à primeira cruzada cristã, quando o seu líder Godofredo de Bulhão, libertou Jerusalém do jugo infiel e em 1103 fundou a Ordem Canónica que tinha como responsável máximo o Rei Balduíno I. A Ordem incluiu sempre membros regulares e seculares bem como militares que se notabilizavam na reconquista cristã.

Em meados do século XIX, o Papa Pio IX modernizou a ordem e colocou-a sob a proteção direta da Santa Sé e confiou o seu Governo ao Patriarcado Latino.