Por Renato Moura

Crianças entraram agora para a escola oficial. Outros regressaram. Este tempo faz-nos revier os anos em que assustados, sem nunca ter entrado numa escola, iniciámos. Ou continuámos, na terra, ou noutra ilha sem os pais. Alguns fora no Natal e na Páscoa.

Recordamos sempre os professores da instrução primária, mestres da então escolaridade mínima de quatro anos. A única recebida por muitos, tão competente e valiosa, bastou para se tornarem excelentes profissionais nas mais variadas artes, ou empresários de sucesso em tantos ramos. Como louvamos os do ensino particular, individual, ou colectivo em externatos, possibilitando a tantos a progressão nos estudos: garantia de melhores empregos para uns, acesso ao ensino superior para outros, estrada para a notoriedade de alguns.

Os antigos professores não eram só poços de erudição e ciência. Possuíam os dons de ensinar com paciência e humildade, tinham as virtudes da generosidade e da humanidade. Exerciam com sensatez, responsabilidade e elevaram a defesa dos valores a contributo positivo para a formação do carácter dos alunos. Eram disciplinadores; acusados de severos e autoritários. Mas educaram muito para além dos manuais. Essas escolas de outrora, dos vários níveis, formaram muitos dos cidadãos ainda titulares de altos cargos.

Nas últimas dezenas de anos vimos criar programas de ensino, guiões, regulamentos, normativos, circulares! Hoje os alunos serão mais capazes de aprender algoritmos. Frequentemente alguns não me têm parecido céleres a resolver problemas simples, indispensáveis para responder a questões da vida diária. E está a instrução actual acusada de indisciplina, facilitismo, laxismo, incompetência!

Constantemente se defendem novos modelos de educação: já há quem prenuncie mais mudança nos próximos dez anos, do que nos últimos mil. A exigência de melhoria de competências é indiscutível. As novas ferramentas tecnológicas digitais permitem progresso na educação. Todavia nem todos têm igualdade no acesso e isso pode agravar, ou pelo menos perpetuar desigualdades sociais e culturais.

Os jovens, além de meros conhecimentos, têm direito a receber os saberes legados pelas tradições, pelas raízes culturais e sociais. Na base da formação de Homens está a integridade, a valorização da ética, o carácter.

É bom quando a educação produz especialistas. Genial é educar jovens capazes de gerar juízo autónomo; criar pessoas sensíveis, criativas, virtuosas. Sublime é formar cidadãos participativos, positivos, responsáveis e protagonistas.