Segunda feira do Espírito Santo está a ser comemorada oficialmente no Nordeste, ilha de São Miguel.

O Padre Manuel Coelho de Sousa e a Cáritas da ilha Terceira receberam esta segunda feira do Espirito Santo, Dia dos Açores, as insígnias autonómicas de reconhecimento e mérito cívico, respetivamente, durante a cerimónia oficial co presidida pela Presidente da Assembleia Legislativa e Presidente do Governo regional dos Açores, que decorreu na vila do Nordeste, ilha de São Miguel.

 

O Pe Manuel Coelho de Sousa, que foi condecorado a título póstumo, é natural da vila de São Sebastião, ilha Terceira, faleceu há 19 anos e foi além de sacerdote, escritor e jornalista.

 

Frequentou o seminário de Angra a partir de 1937, tendo sido ordenado a 20 de Junho de 1948.

 

Posteriormente, tentou prosseguir os estudos de Filologia Hispânica, em Salamanca (1962), mas abandonou-os por motivos de saúde.

 

Foi professor de língua portuguesa no Seminário Colégio Padre Damião, na Praia da Vitória, e no antigo liceu de Angra.

 

Como jornalista, deixou vasta colaboração em suplementos literários e dirigiu, também, o jornal católico A União, primeiro como chefe de redação, entre 1956 e 1962 e  depois como diretor-adjunto, em 1976, ficando depois a dirigi-lo até 1994.

 

Deixou algumas obras publicadas, com destaque para a poesia com “Cadernos do Pensamento” (1979), “”Três de Espadas” (1979), “Na Rota da Emigração Amiga” (1983), “Migalhas” (1987), “Boa Nova” (1994) e “Testamento Poético” (2013, obra póstuma, coletânea de inéditos editada por Dionísio Mendes de Sousa).

 

Escreveu, igualmente, algumas peças de teatro representadas por grupos locais como o auto «Ao mar», levado à cena no centenário henriquino, «Angústia», drama em dois atos, «Promessa», teatro regional, e «Intriga Azul e Branca», teatro crítico.

 

Proferiu, também, várias palestras no Rádio Clube de Angra, estação que dirigiu durante algum tempo.

 

Destacou-se no seio do clero terceirense, pela sua fluência e força espiritual, o que o levou até junto das comunidades da América e Canadá.

 

Na cerimónia do Dia da região foram igualmente condecoradas a Cáritas da ilha Terceira e o Banco Alimentar contra a Fome de São Miguel com as Insígnias Autonómicas de Mérito Cívico.

 

A Presidente da Cáritas da Ilha Terceira, Anabela Borba, disse ao Portal da Diocese que a Insígnia de Mérito Cívico que a instituição recebeu, é “o reconhecimento do trabalho credível feito por uma vasta equipa de colaboradores, patrocinadores e utentes”.

 

“Estou muito contente mas este é um prémio que reconhece o trabalho de uma vasta equipa de trabalhadores, voluntários e patrocinadores que diariamente trabalha para o bem comum”, sublinhou Anabela Borba.

 

A Cáritas da ilha Terceira há muito que trabalha no terreno, mas em 2002 obteve personalidade jurídica e hoje possui quatro grandes valências: o Centro de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil, que atende cerca de 300 jovens; possui um jardim de infância que acolhe 100 crianças; tem grupos de animação de rua e um centro de atendimento social que acompanha, regulamente, cerca de 100 famílias.

 

A organização católica tem 42 trabalhadores, entre assalariados e participantes em programas de emprego apoiado e conta com 10 voluntários permanentes, para além de uma vasta rede de voluntariado para campanhas específicas.

 

As insígnias açorianas, cujo regime jurídico foi aprovado em 2002, “visam distinguir, em vida ou a título póstumo, os cidadãos e as pessoas coletivas que se notabilizarem por méritos pessoais ou institucionais, atos, feitos cívicos ou por serviços prestados à Região”.

 

A Insígnia Autonómica de Reconhecimento visa distinguir “os atos ou a conduta de excecional relevância” de cidadãos portugueses ou estrangeiros que “valorizem e prestigiem a Região no País ou no estrangeiro”, que “contribuam para a expansão da cultura açoriana ou para o conhecimento dos Açores e da sua história” ou que “distingam-se pelo seu mérito literário, científico, artístico ou desportivo”.

 

A Insígnia Autonómica de Mérito tem por objeto distinguir “atos ou serviços meritórios praticados por cidadãos portugueses ou estrangeiros no exercício de quaisquer funções públicas ou privadas.

 

Durante a cerimónia, o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, afirmou que defender a autonomia passa por defender a democracia, alertando para a necessidade de aproximar eleitos e eleitores.

 

Para Vasco Cordeiro, é importante que a autonomia não seja encarada “como um qualquer plano de fomento em que se ajuíza do seu sucesso pelas obras realizadas ou pelo conforto material” que proporciona.

 

Alertando que há “novos desafios” e “novos perigos”, considerou que a autonomia “só tem condições para ser bem sucedida e de perdurar no tempo, aprofundando-se e desenvolvendo-se, se for acarinhada e cuidada pelos açorianos”, o que está “geneticamente” ligado “à vitalidade” da democracia.

 

“Defender a democracia, é defender a autonomia, é defender os Açores”, sublinhou, destacando que os elevados níveis de abstenção e os resultados de partidos “que não honram os ideais europeus ou os ideais humanistas” nas eleições europeias de maio passado demonstram a “urgência desse desafio”.

 

Neste contexto, disse ser necessário “construir soluções que reforcem o envolvimento dos açorianos nas decisões da sua vida coletiva e democrática” e “os façam sentir, cada vez mais, como parte integrante e integrada” da autonomia.

 

Em concreto, defendeu “outras soluções” que reforcem o “sentido de proximidade e de representatividade no âmbito do processo eleitoral” e que “melhor organizem e tornem mais eficaz” a “estrutura territorial” do arquipélago, abrangendo freguesias, câmaras, conselhos de ilha e poder regional.

 

A presidente do Parlamento regional optou por fazer uma resenha histórica do processo autonómico desde os finais do século XIX, durante o primeiro movimento autonomistas e os dias de hoje.

As celebrações do Dia da Região prosseguem com a realização das tradicionais sopas do Espírito Santo.