O Papa Francisco apela a uma “conversão ecológica” que garanta o futuro da humanidade, na sua mensagem para o 53.º Dia Mundial da Paz, que a Igreja Católica celebra a 1 de janeiro de 2020.

“Vendo as consequências da nossa hostilidade contra os outros, da falta de respeito pela casa comum e da exploração abusiva dos recursos naturais – considerados como instrumentos úteis apenas para o lucro de hoje, sem respeito pelas comunidades locais, pelo bem comum e pela natureza –, precisamos duma conversão ecológica”, refere o texto para a celebração, intitulado ‘A paz como caminho de esperança: diálogo, reconciliação e conversão ecológica’.

Francisco denuncia a “exploração abusiva dos recursos naturais”, defendendo uma nova perspetiva sobre a vida, que promova a “sobriedade da partilha”.

Em causa, assinala o texto, estão as gerações futuras, que exigem “a participação responsável e diligente de cada um” na gestão dos recursos naturais.

“De modo particular brotam daqui motivações profundas e um novo modo de habitar na casa comum, de convivermos uns e outros com as próprias diversidades, de celebrar e respeitar a vida recebida e partilhada, de nos preocuparmos com condições e modelos de sociedade que favoreçam o desabrochar e a permanência da vida no futuro, de desenvolver o bem comum de toda a família humana”.

A mensagem papal sustenta que esta conversão deve ser entendida de “maneira integral”, como uma transformação das relações entre pessoas, com os outros seres vivos, com a natureza e com Deus, “origem de toda a vida”, valorizando “o encontro com o outro e a receção do dom da criação, que reflete a beleza e a sabedoria do seu Artífice”.

Francisco recordo o Sínodo especial sobre a Amazónia, propondo uma ação reforçada “em prol duma relação pacífica entre as comunidades e a terra, entre o presente e a memória, entre as experiências e as esperanças”.

“Este caminho de reconciliação inclui também escuta e contemplação do mundo que nos foi dado por Deus, para fazermos dele a nossa casa comum”, acrescenta.

A mensagem para o Dia Mundial da Paz 2020 cita a encíclica ‘Laudato Si’ (2015), sobre a ecologia integral, para admitir que nem sempre as religiões cumpriram o seu papel neste campo.

“Se às vezes uma má compreensão dos nossos princípios nos levou a justificar o abuso da natureza, ou o domínio despótico do ser humano sobre a criação, ou as guerras, a injustiça e a violência, nós, crentes, podemos reconhecer que então fomos infiéis ao tesouro de sabedoria que devíamos guardar”.

O Dia Mundial da Paz foi instituído em 1968 pelo Papa Paulo VI (1897-1978) e é celebrado no primeiro dia do novo ano.

(Com Ecclesia)