Sessão solene comemorativa realizou-se esta noite em Vila Franca do Campo

O Agrupamento 436 do Corpo Nacional de Escutas (CNE), de Vila Franca do Campo, assinalou 50 anos de existência numa cerimónia solene realizada a 1 de junho, reunindo escuteiros, dirigentes, antigos membros, familiares e entidades locais. A celebração aconteceu numa altura em que o agrupamento se prepara para acolher o XVI Jamboree Açoriano, que decorrerá em julho no campo escutista de Lagoa de Água D’Alto e reunirá cerca de 1.500 participantes dos Açores, da Madeira e do Continente.
Mais do que recordar o passado, a sessão serviu para destacar o percurso de meio século dedicado à formação de crianças e jovens, marcado por amizades, valores e experiências que deixaram marca em várias gerações.
O ambiente da cerimónia foi descrito por muitos dos participantes como um reencontro de família. Entre os presentes estiveram o Diretor Regional da Juventude, Eládio Braga, o presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, Graça Melo, e a chefe do agrupamento, Sara Arraial, entre outras individualidades ligadas ao escutismo.
Durante a sessão, foi sublinhada a importância do agrupamento na vida da comunidade local. O responsável pela Juventude destacou que muitos dos que passaram pelo agrupamento encontraram ali valores que influenciaram os seus percursos pessoais e profissionais. Referindo-se ao espírito que caracteriza o Agrupamento 436, lembrou tratar-se de um grupo cuja “força e personalidade foram sempre diferentes”, mantendo-se ativo e dinâmico ao longo das décadas.
A história do agrupamento foi também evocada através da homenagem aos chefes e dirigentes que ajudaram a construir o seu percurso. Ao longo dos últimos 50 anos, oito chefes e três assistentes assumiram a liderança do grupo, contando sempre com o apoio dos escuteiros, das famílias e da comunidade. Foi igualmente recordado o papel do campo escutista de Lagos, Água D’Alto, considerado um dos mais importantes da região, onde regularmente decorrem atividades de âmbito regional e insular.
Na ocasião, o Diretor Regional da Juventude reforçou o reconhecimento do Governo Regional pelo trabalho desenvolvido pelo CNE.
“O Governo Regional reconhece o papel do CNE na formação dos jovens e por isso estamos confortáveis nos apoios que vos damos. É um investimento que sentimos que vai para além das questões financeiras. Há uma espinha dorsal no escutismo que molda caracteres e isso dá uma certeza de que estamos a investir bem”, afirmou Eládio Braga.
Também a chefe do agrupamento, Sara Arraial, destacou o significado da data, considerando que celebrar os 50 anos da instituição é uma forma de homenagear todos aqueles que contribuíram para o seu crescimento.
“Celebrar os 50 anos do Agrupamento 436 é homenagear todos aqueles que contribuíram para esta caminhada. É reconhecer o valor de um movimento que continua a formar cidadãos ativos e comprometidos. É, sobretudo, agradecer a uma instituição que, durante meio século, ajudou a construir uma comunidade mais forte, mais solidária e mais humana”, afirmou.
O Agrupamento 436 deu os seus primeiros passos em 1973. No entanto, a filiação oficial no Corpo Nacional de Escutas ocorreu a 1 de junho de 1976, tendo como patrono São Miguel Arcanjo. A primeira direção foi constituída por José Cabral, como chefe de agrupamento, pelo padre António Jacinto de Medeiros, assistente do agrupamento, e por Maria da Glória Carneiro e Maria de Lourdes Ramalho.
Cinco décadas depois, o agrupamento continua a assumir um papel relevante na educação não formal de jovens açorianos, preparando-se agora para receber um dos maiores encontros escutistas da região.
“Estou muito satisfeita por encontrar um grupo que saiu daquele grupo tão pequenino, mas que deu origem a qualquer coisa”, afirmou Maria de Lurdes Ramalho, uma das fundadoras. Para si, o escutismo foi sempre uma escola de valores, ensinando camaradagem, espírito de serviço e amizade, mesmo quando a mãe, já com uma certa idade, se lamentava da “ausência da única filha de uma casa de homens” porque andava “sempre na rua”.
Também Manuel Rodrigues, um dos primeiros lobitos do agrupamento, guarda recordações marcantes da sua entrada nos escuteiros em 1977, quando tinha apenas sete anos. O convite partiu do então assistente do agrupamento, o padre António Jacinto Medeiros, numa altura em que o movimento representava uma novidade para muitos jovens da vila.
“O que nos atraía era a oportunidade de estar com outros jovens, fazer caminhadas, acampamentos e descobrir coisas novas”, recordou. Segundo Manuel Rodrigues, o entusiasmo em torno do agrupamento era grande, numa época em que o acesso à informação era limitado e a aventura escutista despertava a curiosidade das crianças e jovens.
“Os escuteiros deram-me capacidade de socialização, organização, respeito pela natureza e trabalho em equipa”, afirmou. Mais tarde, já adulto, integrou a Junta de Núcleo de São Miguel e assumiu a responsabilidade pelo jornal “Gerações”, publicação mensal que divulgava as atividades dos agrupamentos da ilha.
A confiança no agrupamento foi sempre uma constante que hoje é sublinhada pelo atual Chefe de Núcleo de São Miguel, Carlos Santos.
“O escutismo continua a ser uma escola de valores, capaz de responder aos desafios de cada época sem perder a sua essência. Num mundo cada vez mais digital, oferece aos jovens oportunidades únicas de contacto com a natureza, de trabalho em equipa, de serviço à comunidade e de desenvolvimento pessoal, contribuindo para a formação de homens e mulheres preparados para servir os outros” afirmou.
Celebrar este percurso é também reconhecer o contributo de todos os dirigentes, caminheiros, escuteiros e famílias que ajudaram a construir esta história. O legado dos últimos 50 anos é motivo de orgulho, mas também um incentivo para continuar a investir no futuro, garantindo que o escutismo permanece uma força viva na educação e no crescimento das novas gerações de São Miguel.
Graça Melo, que foi chefe deste agrupamento, junta-se ao coro de vozes escutistas: “Aqui encontramos respeito, sentido de servir, tolerância, respeito com a natureza; o Agrupamento é uma escola de valores”, afirmou a autarca que deixou um desafio aos mais novos: “vocês têm a responsabilidade de continuar a construir este agrupamento. Olhamos para trás com gratidão e para a frente com esperança”, disse.
“O que é que eu gostava neste aniversário? Tantas coisas, mas acima de tudo que estivéssemos todos a celebrar esta data que não é apenas uma iniciativa da direção atual, mas que deve envolver todos”, diz Sara Arraial, convicta de que “os tempos mudaram mas o ideal mantém-se: continuamos a ser uma força viva na construção do bem comum”.
“Cada agrupamento caminha dentro da Igreja porque o escutismo é a Igreja em movimento” referiu o assistente, padre José Alfredo Borges, que preferiu falar “das vidas vividas e transformadas” pelo ideal escutista em Vila Franca do Campo.
“Somos uma família que vai para além dos laços de sangue e todos sabemos como esta família é importante”, concluiu.
50 Anos de serviço, fraternidade e dedicação: A história do Agrupamento 436 de Vila Franca do Campo





