50 Anos de serviço, fraternidade e dedicação: A história do Agrupamento 436 de Vila Franca do Campo

Esta noite, o Agrupamento promoveu uma sessão solene comemorativa das bodas de ouro

Foto: Igreja Açores/CR

Vila Franca do Campo celebra este ano meio século de escutismo, de entrega à comunidade e de formação de gerações de jovens. O Agrupamento 436,  do Corpo Nacional de Escutas,  assinala 50 anos de filiação no CNE, uma caminhada marcada por desafios, conquistas e um inabalável espírito de serviço.

Ao longo de cinco décadas, centenas de crianças, jovens e dirigentes passaram pelo Agrupamento 436, levando consigo valores de cidadania, solidariedade e compromisso que continuam a marcar a identidade da comunidade vila-franquense, que dificilmente deixaria de poder contar com os seus préstimos. As iniciativas para formar este agrupamento remontam a 1973 e 74, quando os primeiros dirigentes, juntamente com o padre de então, decidiram dar passos concretos. E até promessas foram celebradas, mas a filiação no CNE haveria de chegar um pouco mais tarde.

A história deste agrupamento não foi feita apenas de momentos fáceis. Houve períodos de crescimento e outros de maior dificuldade, numa realidade comum a muitas associações de voluntariado, refere Sara Arraial, atual chefe do agrupamento, escuteira desde 2001 e que este ano está a celebrar 25 anos das suas primeiras promessas. Ainda assim, o Agrupamento 436 soube sempre reinventar-se e manter-se fiel à sua missão educativa.

“Os altos e baixos dos últimos 50 anos, felizmente, nunca foram suficientes para apagar a chama do escutismo que continua viva em Vila Franca do Campo” refere a Chefe.

Uma das características que mais distingue este agrupamento é a sua estabilidade. Ao contrário de outras realidades onde a constante renovação das equipas dirigentes pode representar um desafio, o Agrupamento 436 contou, ao longo da sua história, com três assistentes e oito chefes de agrupamento. Não por falta de disponibilidade, mas porque os mandatos foram sempre marcados por uma grande dedicação e continuidade, permitindo construir projetos sólidos e duradouros.

Atualmente, a assistência religiosa do agrupamento está entregue ao pároco da Paróquia de São Miguel Arcanjo, o Padre José Borges, que acompanha os escuteiros na sua missão de crescimento humano, espiritual e comunitário, mantendo viva a ligação entre o movimento escutista e a comunidade cristã local.

Mas se há algo que faz do Agrupamento 436 uma referência em São Miguel, é a sua capacidade de servir para além das suas próprias fronteiras. Sempre que a ilha recebe grandes atividades escutistas, particularmente na zona de Água d’Alto e do Campo Escutista de Lagos, a colaboração dos escuteiros de Vila Franca do Campo é considerada indispensável. De resto, a ouvidoria tem mais 3 grupos: um em Água D´Alto, outro em Ponta Garça e outro em São Pedro, o mais recente e virado para o mar.

A confiança depositada pela Junta de Núcleo de São Miguel ao longo dos anos é prova disso mesmo. Sempre que surge um grande evento regional ou nacional, o Agrupamento 436, tal como os restantes de Vila Franca,  é chamado a assumir responsabilidades logísticas, contribuindo com a sua experiência, organização e espírito de missão. Este ano não é exceção. Com a realização do XVI Jamboree, que reúne centenas de escuteiros oriundos dos Açores, Madeira e Portugal Continental, o agrupamento volta a desempenhar um papel fundamental na preparação e operacionalização do evento.

“Trata-se de um trabalho muitas vezes invisível para quem participa nas atividades, mas absolutamente essencial para o seu sucesso”, refere a dirigente. São horas de preparação, montagem de infraestruturas, apoio técnico, coordenação de equipas e resolução de problemas, sempre com a mesma disponibilidade que tem caracterizado o agrupamento ao longo dos seus 50 anos.

Mais do que um número, este cinquentenário representa milhares de histórias de amizade, aprendizagem e serviço.

“Representa antigos escuteiros que hoje são pais, mães e avós; dirigentes que dedicaram anos da sua vida à educação dos jovens; e crianças que continuam a descobrir no escutismo uma segunda família”, acrescenta Sara Arraial.

Celebrar os 50 anos do Agrupamento 436 “é homenagear todos aqueles que contribuíram para esta caminhada. É reconhecer o valor de um movimento que continua a formar cidadãos ativos e comprometidos. E é, sobretudo, agradecer a uma instituição que, durante meio século, ajudou a construir uma comunidade mais forte, mais solidária e mais humana” adianta ainda.

“O que é que eu gostava neste aniversário? Tantas coisas, mas acima de tudo que estivéssemos todos a celebrar esta data que não é apenas uma iniciativa da direção atual, mas que deve envolver todos”, diz Sara Arraial.

O Agrupamento 436 deu os seus primeiros passos em 1973, fazendo promessas um ano depois. Todavia, só a 1 de junho de 1976 ficaria filiado no Corpo Nacional de Escutas tendo como patrono São Miguel Arcanjo. A 1.ª secção (Lobitos) tem por patrono o Beato Nuno de Santa Maria (São Nuno Alvares Pereira) e a 2.ª (Exploradores), Nossa Senhora da Paz;  as restantes secções -Pioneiros e Caminheiros-, têm como patronos o São João Paulo II e São João Bosco.

A primeira direção foi composta por José Cabral, Chefe de Agrupamento, o Prior António Jacinto de Medeiros, Assistente do Agrupamento, Maria de Lurdes Ramalho e Maria da Glória Carreiro.

A 23 de abril de 1977, os agrupamentos do Núcleo de São Miguel reuniram-se em atividade, em Vila Franca do Campo, para festejar o patrono do escutismo. Naquela ocasião celebram as promessas alguns exploradores do Grupo Nossa Senhora da Paz.

No ano seguinte, de 4 a 11 de agosto, nas Furnas, realiza-se o primeiro acampamento de agrupamento.

Das muitas atividades realizadas, destaca-se a participação dos lobitos da primeira alcateia no I ACANUC em 1975 e, por iniciativa da Junta de Núcleo em conjunto com a liderança do Agrupamento, a construção no Planalto dos Graminhais e Pico da Vara de dois cruzeiros para marcar a queda de outros tantos aviões naqueles locais, acontecimento que teve lugar no fim-de-semana de 10 de junho de 1983.

A 3 de agosto de 1985, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, foi formalizado o ato de doação ao Agrupamento, sob a forma de escritura pública, de um terreno com a área de quarenta alqueires, localizado em Lagos, Água d’Alto, destinado a parque de campismo dos escuteiros.

A 3 de fevereiro de 1989, é adquirido pelo Agrupamento um imóvel urbano, propriedade de António Damião de Medeiros Melo, na rua do Corpo Santo, com 18 divisões e três dependências, que é a atual sede.

 

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