“Renovo a minha proximidade às vítimas de qualquer abuso e o compromisso da Igreja para erradicar este mal”, disse Francisco

O Papa referiu-se hoje no Vaticano ao “doloroso caso” do antigo cardeal McCarrick, arcebispo emérito de Washington, acusado de abusos sexuais, após a inédita publicação, esta terça-feira, de um relatório da Santa Sé sobre o caso.

“Renovo a minha proximidade às vítimas de qualquer abuso e o compromisso da Igreja para erradicar este mal”, disse Francisco, no final da audiência geral, transmitida online.

Após a intervenção, na biblioteca do Palácio Apostólico, o Papa permaneceu em silêncio durante breves momentos.

O Vaticano divulgou esta terça-feira relatório relativo ao processo que envolveu o antigo cardeal McCarrick, arcebispo emérito de Washington, acusado de abusos sexuais, admitindo erros na gestão do caso.

A Santa Sé distribuiu aos jornalistas um dossiê publicado pela Secretaria de Estado, com os documentos e os testemunhos que contam o caso do antigo responsável norte-americano, de 90 anos, que em 2019 foi demitido do estado clerical.

O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, fala num trabalho de dois anos que exigiu o “exame cuidadoso de toda a documentação relevante dos arquivos da Santa Sé, da Nunciatura em Washington e das dioceses dos Estados Unidos envolvidas” neste caso.

O relatório revela que antes da criação cardinalícia do arcebispo McCarrick, em 2000, houve denúncias de abusos sexuais contra o responsável católico que terão sido consideradas infundadas pelo Papa de então, João Paulo II.

Ao longo de mais 400 páginas são apresentados documentos e testemunhos, naquele que é o primeiro texto do género a ser publicado pelo Vaticano sobre a gestão de um caso de abuso de menores.

A Santa Sé rejeita responsabilidades do Papa Francisco nesta matéria, sublinhando que após ter conhecimento de “alegações credíveis” contra o responsável norte-americano, este foi removido do Colégio Cardinalício (2018) e, mais tarde, do estado clerical.

As novas medidas contra abusos sexuais de menores permitem que sejam agora tidas em consideração eventuais denúncias anónimas, o que não aconteceu no caso McCarrick.

(Com Ecclesia)