O Papa lançou hoje um apelo em favor dos menores migrantes não acompanhados, evocando em particular a “dramática situação” dos que se encontram na chamada “rota balcânica”.

“Façamos com que, a estas frágeis e indefesas criaturas, não faltem o devido cuidado e canais humanitários preferenciais”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação da oração do ângelus.

“São tantos. Infelizmente, entre os que, por vários motivos, são obrigados a deixar a própria prática, há sempre dezenas de crianças e adolescentes sós, sem a família e expostos a vários perigos”, acrescentou.

Estima-se que cerca de 500 menores, na sua maioria do Afeganistão, Síria e Paquistão, estejam sozinhos na Bósnia-Herzegovina, em campos de refugiados que não lhes oferecem qualquer tipo de proteção.

Francisco assinalou ainda o próximo Dia Mundial de oração e reflexão contra o Tráfico de Seres Humanos, que se celebra anualmente a 8 de fevereiro, festa litúrgica de Santa Josefina Bakhita, religiosa sudanesa que viveu “as humilhações e sofrimentos da escravidão”.

“Este ano o objetivo é trabalhara para uma economia que não favoreça, nem sequer indiretamente, estes tráficos ignóbeis, isto é, uma economia que não faça nunca de homens e mulheres uma mercadoria, um objeto, mas sempre o seu fim. Serviço aos homens e mulheres”, precisou o Papa.

A ‘Talitha Kum’, rede internacional da vida consagrada para a erradicação do tráfico de pessoas, aponta o dedo, na sua mensagem para esta celebração, ao “modelo económico dominante, cujos limites e contradições são agravados pela pandemia de Covid-19”.

Esta segunda-feira decorre uma partilha de testemunhos, em cinco idiomas, numa “maratona” online, ao longo de sete horas.

A Obra Católica Portuguesa de Migrações, da Conferência Episcopal Portuguesa, incentiva à “participação e divulgação desta maratona” no Dia Mundial de oração e reflexão Contra o Tráfico de Seres Humanos, que tem um hashtag (marcador) oficial #PrayAgainstTrafficking, para as redes sociais.

Francisco regressa à janela do Palácio Apostólico

O Papa defendeu hoje no Vaticano a necessidade de cuidar dos doentes e defender a vida, falando aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, para a recitação da oração do ângelus.

“A realidade que estamos a viver em todo o mundo, como resultado da pandemia, torna esta mensagem particularmente relevante, esta missão essencial da Igreja”, assinalou Francisco, evocando a próxima celebração do Dia Mundial do Doente (11 de fevereiro).

A intervenção destacou que Jesus Cristo mostrou sempre “predileção pelas pessoas que sofrem no corpo e no espírito”.

“Isso continuou, sem interrupção, na vida da Igreja até hoje. Cuidar de todos os tipos de doentes não é uma atividade opcional da Igreja, algo acessório, não, é parte integrante da sua missão, como a de Jesus: levar a ternura de Deus à humanidade sofredora”, apontou.

Perante a fragilidade humana, indicou Francisco, Jesus respondeu “com uma presença de amor que se inclina, que toma pela mão e faz levantar”.

“Proximidade, ternura, compaixão”, recomendou o Papa aos católicos.

Após a oração, Francisco associou-se à celebração, na Itália, da Jornada pela Vida, sobre o tema “liberdade e vida”.

“Uno-me aos bispos italianos, para recordar que a liberdade é o grande dom que Deus nos deu para procurar e atingir o próprio bem e o dos outros, a partir do bem primário da vida”, apontou.

O Papa rezou para que a sociedade rejeite “todos os atentados contra a vida” e esta “seja tutelada em todas as suas fases”.

A intervenção deixou uma preocupação pessoal com o “inverno demográfico italiano”.

“Na Itália, os nascimentos caíram e o futuro está em perigo. Assumamos esta preocupação, procuremos que este inverno demográfico acabe e floresça uma nova primavera de crianças”, apelou.

O Papa manifestou a sua satisfação por, vários meses depois, poder voltar a rezar o ângelus desde a janela do apartamento pontifício, com peregrinos na Praça – um encontro que estava suspenso por causa da pandemia de Covid-19.

“Estou feliz por vos ver de novo, reunidos na Praça, também os do costume, as irmãs espanholas, que são corajosas, com chuva, com sol, estão sempre aqui. E os jovens da Imaculada. Todos vós, estou feliz”, declarou, no final do encontro de oração.

(Com Ecclesia)