Depois de dois patriarcas árabes, o Patriarcado volta a ser ocupado por um italiano

O papa nomeou no passado dia 24 de outubro o arcebispo Pierbattista Pizzaballa novo Patriarca Latino de Jerusalém.

Nascido em Bergamo, Itália, há 55 anos, o novo Patriarca está em Jerusalém desde 1990 e de há quatro anos a esta parte desempenhava o papel de administrador apostólico, depois do anterior patriarca, Fouad Twal, ter resignado por limite de idade.

Tal como o seu antecessor, Michel Sabbah, foram os únicos dois patriarcas árabes de uma Igreja que serve sobretudo árabes católicos de rito latino que vivem na zona da Terra Santa, incluindo em Israel, Palestina, Jordânia e Chipre.

A maioria do clero do Patriarcado também é árabe e a decisão de regressar a um patriarca de origem europeia poderá não ter sido pacífica, explicando-se assim o atraso na nomeação.

O novo patriarca entrou para a ordem Franciscana onde fez os votos solenes  em 1989, tendo sido ordenado presbítero em 1990, altura em que foi viver para a Terra Santa, ingressando assim na custódia. Foi lá que completou os estudos e dedicou-se depois a uma vida de docência académica e de serviço no terreno junto dos fiéis e dos lugares santos que ocupam um lugar extremamente importante na vida espiritual e cultural da Igreja Católica e da Cristandade em geral.

O Patriarcado Latino da Terra Santa foi estabelecido em 1099, em plenas cruzadas, mas durou muito pouco tempo no terreno, menos de 100 anos. Forçados a deslocar-se para Acre, ainda em Jerusalém, em 1187, em 1291 os representantes do Patriarcado tiveram novamente de fugir para o Chipre.

Durante alguns séculos o título tornou-se apenas honorário, não estando associado a nenhum cargo real, mas em 1847 o Papa restaurou o Patriarcado Latino em Jerusalém.

O Patriarca Latino tem responsabilidade direta por todos os católicos de rito latino da sua zona geográfica, que atualmente são cerca de 160 mil. A maioria dos católicos da região são de rito oriental e têm a sua própria hierarquia. Para além do Patriarca Latino, há mais três confissões cristãs que têm patriarcas de Jerusalém, o ortodoxo, o arménio e o da Igreja Melquita, uma igreja católica de rito oriental.

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