“Até quando a maldade humana semeará a violência e o ódio, causando vitimas inocentes?”, questionou Francisco na primeira missa do novo ano

O Papa salientou hoje no Vaticano, o imperativo que a celebração do Natal e do nascimento de Cristo constituem para a construção de um mundo livre da “injustiça e violência que diariamente ferem a humanidade” .

“Onde não consegue chegar a razão dos filósofos nem a intervenção dos políticos, consegue fazê-lo a força da fé que a graça do evangelho de Cristo nos traz e que aponta sempre novos caminhos”, sustentou.

Na primeira celebração eucarística do ano, na Basílica de São Pedro, Francisco sublinhou que, com a vinda do seu filho Jesus ao mundo, Deus quis marcar “a plenitude dos tempos”.

Contudo, os “sinais atuais” são contrários à presença de Deus, pois essa “plenitude dos tempos parece esboroar-se perante as inúmeras formas de injustiça e violência que diariamente ferem a humanidade”, um “rio de miséria, alimentado pelo pecado”, denunciou.

Ao longo da sua homilia, o Papa argentino lembrou as “multidões de homens, mulheres e crianças que hoje fogem da guerra, da fome, da perseguição”.

Pessoas que estão “dispostas a arriscar a vida para verem respeitados os seus direitos fundamentais”.

“Às vezes perguntamo-nos: como é possível que perdure a prepotência do Homem sobre o Homem, que a arrogância do mais forte continue a humilhar o mais fraco, relegando-o para as margens mais esquálidas do mundo. Até quando a maldade humana semeará a violência e o ódio, causando vitimas inocentes?”, interpelou Francisco.

A resposta está na capacidade do Homem em responder de outra forma à graça de Deus, que perante as fragilidades do mundo não deixa de continuar a “inundá-lo com um oceano de misericórdia”.

“Todos somos chamados a mergulhar neste oceano, a deixarmo-nos regenerar para vencer a indiferença que impede a solidariedade e sair da falsa neutralidade que dificulta a partilha”, frisou o Papa, que lembrou também a responsabilidade que deve ser assumida por todos os cristãos.

De serem “cooperadores” de Deus “na construção de um mundo mais justo e fraterno onde cada pessoa e cada criatura possam viver em paz, na harmonia da criação primordial de Deus”.

Um repto que Francisco renovaria mais tarde na celebração do ângelus, perante os peregrinos que encheram a Praça de São Pedro, recordando que o primeiro dia do ano é também Dia Mundial da Paz.

“A paz que Deus Pai deseja semear no mundo deve ser cultivada por todos nós, e não só. Deve ser também conquistada”, referiu o Papa argentino, desafiando as pessoas a uma mudança de “coração” e “espiritual”.

“Porque a antítese da paz não é só a guerra, mas também a indiferença que faz cada pessoa pensar apenas nela própria e cria barreiras, suspeitas, medos e fechamentos. Todas estas coisas são inimigas da paz”, complementou.

A celebração de Ano Novo na Basílica de São Pedro, em Roma, ficou também marcada pela participação de cerca de sete mil crianças e adolescentes ligadas a grupos corais católicos de todo o mundo, inclusivamente quatro grupos de Portugal, que estão na capital italiana a participar no 40.º Congresso Internacional dos Pueri Cantores.

CR/Ecclesia