O Papa disse hoje em conferência de imprensa que o “escândalo de tantas vidas afogadas no mar” Mediterrâneo representam um “naufrágio” da civilização europeia, reforçando o alerta deixado este domingo na ilha grega de Lesbos.

“Se não resolvermos o problema dos migrantes, corremos o risco de fazer naufragar a civilização, hoje, na Europa, tal como as coisas estão, a nossa civilização. Não apenas naufragar no Mediterrâneo. Não, a nossa civilização. É preciso que os representantes dos governos europeus cheguem a um acordo”, apelou Francisco, falando aos jornalistas que o acompanharam no voo entre Atenas e Roma.

Após evocar o “escândalo do drama dos migrantes”, o Papa foi particularmente crítico dos responsáveis que optam por deixar os migrantes “na costa da Líbia”.

“Isto é uma crueldade”, sustentou.

Questionado sobre os políticos que impedem a migração ou que fecham as fronteiras, Francisco lamentou a “moda de fazer muros ou arame farpado”.

“Quem constrói muros perde o sentido da história, da própria história”, indicou.

O Papa admitiu que cada governo deve definir quantos migrantes é capaz de receber, mas sublinhou que estes “devem ser acolhidos, acompanhados, promovidos e integrados”.

“Se um Governo não pode acomodar mais do que um determinado número, deve dialogar com outros países, cada um cuidando do outro. É por isso que a União Europeia é importante”, precisou.

Evocando as situações que se vivem no Chipre e na Grécia, onde esteve em visita desde a última quinta-feira, Francisco lamentou a falta de “harmonia” nas políticas comunitárias, que acusou de promover “guetos” dentro dos vários Estados-membros.

“Há outro drama que quero sublinhar. É quando os migrantes, antes de chegarem, caem nas mãos dos traficantes que lhes tiram todo o dinheiro que possuem”, acrescentou.

A 35ª viagem internacional do pontificado começou na última quinta-feira, no Chipre, e prosseguiu este sábado em território grego, onde o Papa criticou a falta de solidariedade da União Europeia na resposta à crise migratória e alertou para um “retrocesso” nas democracias ocidentais.

No domingo, Francisco regressou a Lesbos, chamando a atenção para a situação de milhares de refugiados que procuram chegar à Europa.

A viagem à Grécia contou com vários encontros dedicados à minoria católica (cerca de 1% da população) e com responsáveis da Igreja Ortodoxa, liderada pelo arcebispo Jerónimo II

(Com Ecclesia)