Benção das candeias tem lugar no dia 30 de janeiro

A Paróquia de Santa Cruz, a Câmara Municipal da Lagoa e a Sociedade Filarmónica Estrela D´Alva, uniram-se este ano para promover as festividades em honra de Nossa Senhora da Estrela, entre os dias 30 de janeiro e 1 de fevereiro, na cidade de Lagoa, informa uma nota enviada ao Sítio Igreja Açores.

As festividades de Nossa Senhora da Estrela, realizadas na freguesia de Santa Cruz, têm sido concretizadas, ao longo desses anos, pela Paróquia e pela Sociedade Filarmónica Estrela d’ Alva, que comemora 128 anos de existência, em data associada a estas festividades.

Este ano, para que a festa ganhasse “ainda uma maior expressão”,  a Cãmara Municipal  juntou-se à paróquia e à filarmónica e organizarão em conjunto a tradicional noite de Cantar às Estrelas.

O início das festividades tem lugar no dia 30 de janeiro, com a bênção das candeias, seguindo-se uma procissão de velas, finalizando este primeiro dia, com um serão cultural, promovido pela aniversariante, Sociedade Filarmónica Estrela D´Alva, que dará um concerto musical no salão paroquial da Matriz de Santa Cruz.

No dia 31 de janeiro, terá lugar a já tradicional Noite do Cantar às Estrelas, que contará com a participação de mais de vinte grupos que irão entoar os tradicionais cânticos das Estrelas, a partir das 20h30, na Praça da República, na Lagoa.

As comemorações em honra de Nossa Senhora da Estrela, culminam com uma missa solene, seguida de uma procissão, promovida pela paróquia, pelas ruas da freguesia de Santa Cruz e com a meditação do terço na Ermida de Nossa Senhora da Estrela.

Trata-se de uma tradição que se assinala em diferentes concelhos da ilha de São Miguel e também do Pico.

Grupos de cantares saem à rua,  na noite de 31 de janeiro para 1 de fevereiro para celebrar as estrelas e assinalar o fim do Natal.

Acompanhados de violas, clarinetes, guitarras, acordeões, tambores, ferrinhos, instrumentos de sopro, harmónicas e pandeiretas, os ranchos de cantares às estrelas percorrem ruas e casas, cantando quadras alusivas a quem os recebe, “com mesa posta e licores caseiros”.

É nesta altura que, em alguns lares açorianos, são desmontados o presépio e a árvore de Natal, feitos no dia 8 de dezembro.

A dimensão da festa das Estrelas já é de tal maneira significativa que há cartazes culturais feitos especificamente para assinalar este dia e levar a cada um dos lugares onde se celebram as estrelas,  mais gente.

É o caso da Ribeira Grande, em São Miguel, onde de há 20 anos a esta parte há um cartaz próprio, organizado pela Câmara Municipal, com um desfile pela Rua Direita até aos Paços do Concelho, com a participação de vários grupos.

Também a Câmara Municipal de Ponta Delgada promove a iniciativa, tal como a de Vila Franca do Campo ou a junta de freguesia da Candelária, concelho de Ponta Delgada, cuja igreja paroquial tem como principal orago Nossa Senhora das Candeias, também conhecida por Nossa Senhora da Estrela.

A noite das estrelas é, de resto, a mais esperada de todas as noites nesta freguesia rural do concelho de Ponta Delgada, onde grupos de cantadores, trajados a rigor, improvisam quadras em jeito de preces, para louvar a Senhora das Candeias.

As celebrações começam com uma missa cantada, durante a qual são distribuídas, a todos os presentes, candeias previamente benzidas. Estas candeias são levadas para casa e, geralmente, são acesas pelos fieis, em momentos de maior aflição.

Trata-se de uma tradição a que aderem cada vez mais jovens que confecionam estes artefactos como os seus antepassados: 50 pavios feitos de barbante, fio de estopa de linho ou fios de algodão, dobrados oito vezes na medida estabelecida, são pendurados numa roda, a que se junta depois parafina e cera.

O culto a Nossa Senhora das Candeias remonta ao século V, quando o Papa Gelásio I instituiu a festa para afastar os cristãos das celebrações pagãs ao deus Luperco.

Grupos de católicos saiam à rua para louvar a purificação de Maria, Virgem Mãe, invocando a luz que guia e ilumina todos os cristãos.