Festa da consagração dos pescadores à Senhora da Paz inicia formalmente processo de elevação da Ermida a Santuário

Esta tarde os fieis de Vila Franca do Campo, a pretexto da festa de São Pedro Gonçalves durante a qual os pescadores locais se consagram a Nossa Senhora da Paz, deram mais um passo no pedido popular de reconhecimento da ermida de Nossa Senhora da Paz como Santuário Mariano.

Esta é pelo menos a convicção do Pároco da Matriz de Vila Franca que já na festa de Nossa Senhora da Paz tinha deixado a sugestão ao prelado diocesano.

“A festa que hoje os pescadores estão a fazer, como todos os anos fazem nesta data, é um momento de oração que corporiza aquilo que já está na mente e no coração dos vilafranquenses que é um carinho, uma adoração, um respeito e uma enormíssima devoção a Nossa Senhora da Paz”, disse o Pe José Borges ao Sítio Igreja Açores lembrando que a Ermida “é um espaço de oração especial”.

“Não há qualquer celeuma neste pedido que é feito a partir de Vila Franca mas que  envolve toda a alma micaelense”, refere o sacerdote que sublinha a “própria localização geográfica” do templo.

“A Ermida da Senhora da Paz está no alto de um monte, `mais próximo do Céu´e próximo dos homens. Os pescadores são também aqueles que corporizam esta enorme e permanente devoção” diz ainda o pároco da Matriz de Vila Franca do Campo, primeira capital da ilha de São Miguel.

“O facto da Ermida e da Senhora da Paz estarem no alto iluminadas, já tem servido de referência aos pescadores para alertar para a proximidade de terra e depois em terra a devoção continuada a Nossa Senhora que intercede sempre pelos pescadores; tudo isso é motivo de oração permanente” destaca o sacerdote, que espera que no Ano Jubilar da Misericórdia, “ possa existir uma decisão” que vá ao “encontro da vontade popular”.

“É magnifico vermos a alma micaelense… o homem micaelense, tão bem representado pelo Romeiro, de joelhos a rezar a uma mulher, Maria, que ilumina todas as mulheres e homens deste mundo, além da espiritualidade e do significado de tudo isto, é também uma perspetiva humana da nossa fé”, conclui.

A festa em honra de São Pedro Gonçalves, padroeiro dos pescadores, decorreu este domingo em Vila Franca, com uma consagração especial dos homens do mar a Nossa Senhora da Paz.

Atualmente são cerca de 80 os pescadores locais no ativo e, todos os anos, honram um voto que tem mais de três séculos, saindo à rua com a imagem, a partir da Ermida de Santa Catarina até ao Porto de pesca, onde os barcos permanecem enfeitados.

“Os pescadores recorrem muito a São Pedro Gonçalves porque têm muita fé nele e na ajuda que ele possa dar na ida, na vinda, na pescaria e, naturalmente, que também rezamos muito a Nossa Senhora da Paz. Não há ninguém que saia deste porto que antes não se benza virado para a Ermida da Senhora da Paz”, disse ao Sítio Igreja Açores o Provedor da Irmandade de São Pedro Gonçalves, José Fernando Madeira.

Antes da procissão, celebrou-se uma Eucaristia que foi presidida pelo Cónego José Medeiros Constância que exortou os presentes a “viverem a fé em comunidade” como se fossem uma “verdadeira família” e a experimentarem o “verdadeiro sentido da Páscoa de Cristo ressuscitado”.

“Na geografia da fé”, disse, “ há sempre uma alternativa para ultrapassar os problemas” porque “Cristo ressuscitado é um Cristo cheio de misericórdia” que se “compadece de todos nós”.

“O espírito da Páscoa não pode deixar tudo como antes; temos de mudar; temos de ser capazes de olhar para os problemas numa perspetiva de mudança, de alternativa”, disse o Cónego José Medeiros Constância.

O sacerdote deixou uma mensagem de “coragem” para que os cristãos invoquem “a mãe da divina misericórdia que na Vila tem o nome de Nossa Senhora da Paz”, para “os ajudar nesta caminhada de mudança”.

A Eucaristia foi animada pelo Grupo de Escuteiros Marítimos de Vila Franca do Campo.