Sacerdote madeirense encerra as comemorações do centenário do jornal A Crença no dia 19

O presidente da República Portuguesa distinguiu esta sexta feira, no Palácio de Belém, o padre José Tolentino Mendonça com o grau de comendador da Ordem de Sant’Iago da Espada.

“Numa distinção assinala-se algum contributo pessoal mas sabemos que para gerar uma pessoa, um percurso, há sempre uma linhagem, um conjunto de pessoas que passaram o testemunho e que muitas vezes permanecem anónimos na história. Por detrás de um trabalho não há apenas um homem”, assinalou o sacerdote, vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa à Agência ECCLESIA.

O padre e poeta madeirense que proferirá uma conferência no próximo sábado, dia 19 de dezembro, em Vila Franca do Campo, encerrando as comemorações do centenário do jornal A Crença, sublinhou o “sentido de responsabilidade” num momento da sua vida que “é sobretudo de gratidão” pela presença dos outros.

“Há de facto uma multidão que faz a sua dádiva, que partilha uma determinada esperança, que ajuda a dar um passo e em certas horas da nossa vida é importante termos presentes que só conseguimos fazer o pouco que fazemos graças ao apoio e à esperança de tantos”, desenvolveu.

A Ordem Militar de Sant’Iago da Espada tem por fim distinguir o mérito literário, científico e artístico.

Neste contexto, o padre Tolentino Mendonça explicou que se sente “muito chamado” ao diálogo com a cultura, “fazendo pontes, escutando”, partilhando a identidade de uma forma “muito aberta, serena e esperançosa”.

O presidente da República Portuguesa agraciou ainda o professor Henrique Leitão, Prémio Pessoa 2014, com o grau comendador da Ordem de Sant’Iago da Espada; o cirurgião cardiotorácico José Manuel Roquette, com o grau de grande-oficial da Ordem do Infante D. Henrique; como comendadores da Ordem do Infante D. Henrique a professora Maria Salomé Soares Pais e Mário Assis Ferreira, respetivamente secretária-geral da Academia das Ciências de Lisboa e vice-presidente do Conselho de Administração da Estoril-Sol.

Aníbal Cavaco Silva, no seu discurso, destacou que os agraciados “têm contribuído para avanços nas matérias onde concentram os seus talentos”.

“Pessoas que acreditam na importância e no valor do pensamento, do conhecimento, do estudo, da criação, do trabalho árduo que é sempre necessário para vencer em qualquer domínio e atividade”, disse o presidente da República Portuguesa.

Um trabalho que, normalmente, “é realizado de forma discreta, longe dos holofotes e do palco mediático” por pessoas que “acreditam no seu trabalho, em si próprios, pessoas de fé”.

As cinco personalidades da cultura e ciência, segundo Aníbal Cavaco Silva, acreditam no seu país, revelado “sentido patriótico, identificando-se com a cultura e identidade do povo”.

 

O padre José Tolentino Mendonça comentou que a Igreja tem “sido sempre” uma instituição que “valoriza a dimensão da cultura”, no passado, “naquela que é a história de Portugal”, mas também no presente.

“Hoje na cultura portuguesa a Igreja tem um lugar que nasce sobretudo da atenção, do serviço, da disponibilidade para valorizar o contributo de todos e também para, a partir daquilo que é a sua fé, poder traduzir em forma cultural a experiência crente que faz”, concluiu.

CR/Ecclesia