Principais partidos da oposição nos Açores reclamam classificação do tesouro do Senhor Santo Cristo

Iniciativa foi entregue hoje no parlamento dos Açores.

Os cinco partidos da oposição parlamentar nos Açores querem que a imagem e o tesouro do Santo Cristo dos Milagres sejam classificados como “tesouro regional”, dada a importância do culto e o seu valor material e simbólico.

 

PSD, CDS, PPM, BE e PCP entregaram hoje na Assembleia Legislativa dos Açores uma proposta de decreto legislativo com vista a esta classificação, prevista na legislação regional para bens móveis, mesmo que sejam propriedade privada, como é este o caso (pertencem à diocese de Angra), desde que tenham manifesto interesse regional.

 

Esta classificação equivale à de monumento regional no caso de imóveis ou de património natural.

 

A proposta dos cinco partidos abrange a imagem do Santo Cristo dos Milagres, que tem mais de 300 anos, e o resplendor, a coroa, o cetro, a corda e o relicário que a adornam durante as festas anuais em sua honra, que originam a maior peregrinação religiosa dos Açores, uma das maiores do país e que tem também forte presença nas comunidades emigrantes do Canadá e Estados Unidos, conforme explicou à Lusa o deputado do PSD Joaquim Machado.

 

O deputado defendeu que a imagem e o tesouro do Santo Cristo “têm um valor indiscutível, material e, sobretudo, simbólico”, dada a dimensão do culto, explicando que com a classificação como “tesouro regional” a exportação e/ou expedição destes bens (termos usados na legislação) fica sujeita a uma resolução do Conselho do Governo dos Açores.

 

Por outro lado, em caso de venda de bens com esta classificação, a região tem direito de preferência.

 

Joaquim Machado garantiu que esta iniciativa “não tem qualquer relação” com a polémica que nas últimas semanas surgiu nos Açores por o bispo de Angra ter autorizado a saída do resplendor do Santo Cristo das ilhas para integrar uma exposição no Museu de Arte Antiga, em Lisboa.

 

A iniciativa parlamentar “não toma partido”, “não se envolve” e “não tem inferência” nesse debate, afirmou Joaquim Machado, acrescentando que seguirá agora um processo dentro da Assembleia Legislativa dos Açores e que demorará algum tempo até à sua apreciação e votação final, em plenário.

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