Por Renato Moura

António Guterres está proposto para ser em breve Secretário-geral das Nações Unidas. É o culminar de um novo e longo processo de eleição, que a ONU escolheu, para acrescentar transparência e aumentar credibilidade.

Guterres chega ao fim do percurso depois de ter vencido todas as provas. É o reconhecimento público, a nível internacional, do mérito identificado como necessário para mais alto dirigente da maior organização mundial, que congrega 193 países. A forma inesperadamente rápida como a escolha terminou, no Conselho de Segurança, evidencia a dissipação de hesitações. A ONU escolheu o melhor.

As manobras de bastidores, que introduziram no final da avaliação de candidatos a búlgara Kristalina Georgieva, para oportunisticamente se não submeter às sucessivas apreciações, falharam e só serviram para provar o fracasso da Senhora Merkel e evidenciar a falta de neutralidade e apoio indiscreto do presidente da Comissão Europeia à sua Vice-presidente, a quem até concedeu um inusitado mês de licença sem vencimento!

35 anos depois é novamente um europeu Secretário-geral e agora é português. Mais uma vez o nome de Portugal sobe alto. Mais um português prestigia e honra Portugal no mundo. Foi obviamente importante a união do nosso país à volta desta candidatura, com serenidade e eficácia: Presidente da República, Assembleia da República, Governo, diplomacia, todos os partidos políticos e grandes figuras nacionais.

Uma vitória com muito de pessoal. Resistiu à falta de isenção do actual Secretário-geral, às pressões a favor de uma mulher de Leste. Aquele que durante dez anos fora Alto-comissário para os Refugiados tem uma dimensão humana e carismática, comprovadas no terreno. Reconhecem-lhe a inteligência, os valores, os princípios, o empenho pelas causas sociais, pela defesa dos mais desfavorecidos, a luta pela justiça. É um homem sereno, ponderado, dialogante, experiente e com visão. Tem capacidade de comunicação, boa formação humanista, razão e coração, sólidas convicções e soube ser humilde na hora da consagração. Qualidades certamente enriquecidas e fortalecidas pelo facto de se tratar de um católico comprometido.

Frequentemente muitos portugueses, nos seus pequenos ou maiores territórios, têm dificuldade em reconhecer o valor de alguns dos seus melhores. Por vezes precisam ver a valorização fora, para se surpreenderem e deslumbrarem.

A unidade à volta desta candidatura foi enorme. Pena é quando os órgãos de soberania e partidos não sabem unir-se à volta de outras grandes causas nacionais.