Por Ana Bretão*

O Natal é um tempo muito bonito. Todos nós, pequenos ou grandes, armazenamos por dentro as tristezas e outras coisas ruins, e deixamo-nos encantar pela simplicidade da manjedoura, que devia ser a verdadeira magia da época.

Nascemos um bocadinho de cada vez que é Natal. E fazemos esse esforço necessário para que também o coração se encha de luzes, de fios e de laços. (Poderíamos fazer do coração a sala de visitas do nosso Natal).

Se pararmos um pouco, parece que ouvimos anjos. Numa escola, até os vemos.

E enchemos o ar de canções. No peito há um calorzinho bom de vela acesa, cheira a canela e a sorrisos. À nossa volta, os meninos todos do nosso Natal vivem a festa como se fosse sempre a primeira vez.

No mundo há muito ruído e, por vezes, torna-se quase impossível filtrá-lo. Por isso, aprendemos o gosto do silêncio. Gostamos de Te ouvir no vento, na chuva, na escuridão de uma noite fria de inverno, numa igreja despovoada, no som ritmado do tempo a passar. O Natal é muito mais evidente quando nos calamos, nos despimos das roupagens exageradas de festa e ficamos olhos nos olhos com a forma absoluta do Amor.

Depois, procuramos os outros e enchemos-lhes os braços com aquilo em que formos melhores. Os outros, mesmo sem o saberem, têm sempre os braços abertos.

Sabes, Menino Jesus, devíamos agradecer-Te mais. É que é um milagre a sério este encantamento, esta alegria, esta paz. Mesmo dois mil e tal anos depois. Mas os nossos meninos hão de fazê-lo por nós. E certamente melhor do que nós.

 

*Professora do Colégio de Santa Clara, Angra do Heroísmo