Por Renato Moura

Em quatro meses mais de cem mortos em resultado de incêndios. Vidas destruídas. Bens perdidos. Já tudo e o seu contrário terá sido dito, com liberdade ou em ambiente de pressão e depressão, naturalmente com muita emoção e daí com mais ou menos razão.

Quando houver a frieza possível valeria a pena reflectir fundo, julgar bem, tudo visando mudar para muito melhor e só para construir um futuro de compromisso, esperança e segurança, sem a angústia pelos votos e poderes.

Será que:

– Faz sentido que órgãos e estruturas técnicas do Estado não sejam dirigidas pelos mais habilitados? Os socialistas se aproveitam da sua posição para politizar o aparelho do Estado? Ou o aproveitamento é um hábito generalizado pelos partidos?

–  O entorpecimento na acção se deveu às mudanças na cadeia de comando da Autoridade Nacional de Protecção Civil?

– A prevenção se pode organizar pelo calendário e não ter em conta circunstâncias especiais previstas?

– A obrigação de defender os cidadãos é unicamente do Estado? As autarquias locais não têm obrigações legais e podem-se demitir de qualquer acção que contribua para defender os seus territórios? E têm planos de protecção civil eficazes? E tem sido feito alguma coisa para aplicar a lei?

– Os cidadãos não têm o dever de tomar as cautelas possíveis para se defender e aos seus bens, e a cultura de não contribuir para a desgraça dos vizinhos?

– Os partidos não perceberam que a melhor garantia para manter um membro no governo, é pedir a sua demissão?

– Há experiência adquirida de como responder com eficácia à ignição de mais de 500 incêndios num só dia de especial secura e vento forte?

– Depois de muitos anos de incêndios, já alguém mandou investigar a fundo quem são os que vivem dos fogos?

– Só se deve penalizar quem não ataca os fogos adequadamente, ou dever-se-ia procurar e punir criminalmente, com mão pesada, não só quem os ateia, mas quem os manda atear?

– Cada um de nós já pensou, com clemência, como, sendo ministro, poderia evitar que nenhum dos organismos com comandos próprios, mas sob nossa tutela, cometesse erros graves?

– Em tempo de luto e com os cadáveres sobre terra é o tempo adequado para anunciar moções de censura?

– Seria, ou é bom remodelar sob coação?

– Nos invernos dos últimos anos se fez algo de muito relevante para prevenir fogos?

– É desta?

Deus, na sua bondade, terá junto a Si as infelizes vítimas, que intercederão pelos seus. Rezemos para que Deus, na sua misericórdia, perdoe aos que sabem o que fizeram e fazem, por palavras, actos ou omissões.