D. António Marto destaca oportunidade de «acolhimento de Deus» e dos outros

O bispo da Diocese de Leiria-Fátima presidiu esta terça feira à abertura da Porta Santa no Santuário de Fátima e disse que o jubileu extraordinário da Misericórdia corresponde “à necessidade de uma grande renovação espiritual” do mundo.

O rito da abertura da Porta Santa começou com uma peregrinação simbólica desde a Capelinha, no recinto de oração, até à Basílica da Santíssima Trindade.

“A peregrinação significa que a misericórdia como dom de Deus é uma meta a alcançar, um caminho a percorrer e convida a pessoa a sair de si, a fazer uma peregrinação interior, de voltar-se para o acolhimento do dom de Deus”, explicou D. António Marto.

À Agência ECCLESIA, após a celebração, o prelado observou que a Porta Santa recorda que “a porta é o próprio Cristo”, que abre o seu coração “no alto da cruz de onde fluiu caudal de amor que atravessa todas as gerações”.

Neste contexto, destacou que esta misericórdia se refere “naturalmente ao perdão dos pecados” mas “não só isso”, incluindo o “acolhimento do outro”.

“Escutá-lo; compreende-lo; acompanhá-lo; perdoá-lo; dar-lhe ânimo e coragem para viver uma vida boa e justa e santa segundo o Evangelho”, exemplificou o bispo da Diocese de Leira-Fátima.

A Porta Santa no Santuário mariano da Cova da Iria foi aberta “excecionalmente” passadas poucas horas depois do Papa Francisco ter dado início ao Jubileu com a abertura da Porta Santa na Basílica de São Pedro.

“Sabíamos que este é um dia que reúne aqui em Fátima sempre muitos milhares de pessoas e que seria um dia particularmente festivo”, explica o reitor do Santuário de Fátima.

“Como vimos, estava aqui uma multidão enorme para festejar a Nossa Senhora na sua Imaculada Conceição e para a abertura da Porta Santa”, acrescentou o padre Carlos Cabecinhas.

A porta escolhida na Basílica da Santíssima Trindade foi a do Apóstolo São Tomé porque no Domingo da Misericórdia, “o segundo domingo da Páscoa” [03 abril 2016], se lê em todo o mundo “a aparição de Jesus a Tomé”, relatada pelos Evangelhos.

“A misericórdia é a palavra-chave que nos permite ver a mensagem de Fátima na sua totalidade”, destaca o reitor do Santuário de Fátima, que informa que para este ano, até 20 de novembro de 2016, há uma proposta de caminhada “mais espiritual” que leva a “atravessar a porta santa” aos diversos peregrinos nacionais e estrangeiros.

Neste contexto, o padre Carlos Cabecinhas assinala que entre outras iniciativas se propõe uma “particular atenção” ao serviço de confissões, como “momento de experimentar a misericórdia de Deus”, que no Santuário mariano “já é muito importante”.

Já o bispo de Leiria-Fátima realçou que vão oferecer o “Evangelho da Misericórdia na abertura da Porta Santa em Leiria, este domingo: “É preciso escutar a Palavra de Deus para aprender a Sua misericórdia, ser misericordioso como Deus é”.

Para além do Retiro do Povo de Deus e das “24 horas para o Senhor”, na Quaresma, o prelado aponta para a “dimensão social” com as 14 Obras de Misericórdia que “são muito belas” porque respondem “às necessidades materiais, sociais e espirituais das pessoas, das famílias, tem uma relevância social e cultural”.

CR/Ecclesia