“Estas bênçãos são uma espécie de miradouros no caminho da vossa vida, pois permitem ver o caminho que já foi feito, o caminho que vem à frente, e permitem também deixar-se contemplar pela beleza da presença de Jesus neste caminho”- padre Nuno Maiato

O Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres acolheu, na noite desta quinta-feira, a bênção de 11 casais de várias localidades da ilha de São Miguel, numa celebração que procurou valorizar a vocação matrimonial e oferecer aos noivos um momento de oração e preparação espiritual para o casamento.
A iniciativa, realizada na véspera da festa de Santo António, integrou-se no caminho de acompanhamento que tem vindo a ser promovido pelo Santuário às sextas-feiras, dirigido particularmente aos jovens e às famílias, na iniciativa “As sextas no Convento”, promovidas pela Pastoral juvenil, vocacional e do ensino superior e profissional.
Na homilia da concelebração, em que participaram os três assistentes, o padre Nuno Maiato recordou que o Coração de Jesus continua a ser a referência para a vida cristã e para a construção da família.
“É nele que descobrimos quem é Deus e é nele que aprendemos como o nosso coração também deve ser”, afirmou.
“O matrimónio é um chamamento de Deus”, afirmou, desafiando os noivos e casais a olharem para a vida dos santos como exemplos concretos de perseverança.
“Se eles foram capazes, também nós podemos ser”, acrescentou.
O sacerdote sublinhou igualmente que os verdadeiros vencedores são aqueles que constroem a sua vida a partir da entrega, da humildade e da doação.
“Não vivais de aparência, mas de verdade. Ter um coração capaz de compaixão faz com que nos possamos aproximar do outro”, apelou.
Dirigindo-se aos casais presentes, o sacerdote evocou as palavras do Papa Leão na vigília do passado fim-de-semana em Madrid, no âmbito da sua histórica visita a Espanha: “Não tenhais medo do matrimónio nem de construir uma família”. Num tempo em que muitos questionam a fidelidade e têm dificuldade em assumir compromissos duradouros, o celebrante destacou que os esposos cristãos são chamados a ser “sinais de esperança e uma alegria para a Igreja”.
Em declarações ao Igreja Açores, o padre Nuno Maiato explicou, ainda, que esta bênção surgiu na continuidade das iniciativas promovidas ao longo do ano para acompanhar os casais.
“Já em fevereiro, próximo do Dia de São Valentim, tivemos a bênção dos namorados. Agora, na véspera de Santo António, convidámos os noivos da nossa ilha para receberem uma bênção nesta preparação mais imediata para o matrimónio”, referiu.
“Creio que aquilo que estes noivos procuram é precisamente um momento de descanso junto do Senhor, nesta caminhada rumo ao matrimónio”, acrescentou.
“Estas bênçãos são uma espécie de miradouros no caminho da vossa vida, pois permitem ver o caminho que já foi feito, o caminho que vem à frente, e permitem também deixar-se contemplar pela beleza da presença de Jesus neste caminho”, acrescentou ainda.
Sobre a ligação de Santo António aos casamentos, o sacerdote recordou que a tradição popular tem origem num gesto concreto de caridade atribuído ao santo lisboeta, que terá ajudado um casal sem recursos a reunir as condições necessárias para celebrar o matrimónio.
“Vejo Santo António como alguém que, em nome de Deus, presta auxílio àqueles que se dispõem a formar uma família cristã. Essa dimensão da caridade está acima de todas as outras e continua a ser uma inspiração para a vida da Igreja”, afirmou.
Entre os participantes encontrava-se Maura Borges, da Ribeirinha, concelho da Ribeira Grande, que vai celebrar o matrimónio em dezembro. Para a jovem noiva, a presença de Deus é fundamental na construção da vida a dois.
“Como cristã, procuramos sempre a bênção de Deus e nada melhor do que recebê-la também para o matrimónio. Acredito que, com Ele na nossa vida, tudo ganha um sentido diferente. Há mais amor, mais união e mais força para ultrapassar os obstáculos”, afirmou.
Apesar de namorar há cerca de um ano, Maura diz não ter dúvidas sobre o passo que decidiu dar.
“Entendemos que o passo certo era casar e nada melhor do que fazê-lo pela Igreja”, acrescentou.
Também Ana Abelha, membro da Equipa Diocesana da Pastoral Vocacional, destacou a importância de momentos como este para ajudar os casais a compreender que Deus faz parte da sua história para além do dia do casamento.
“Quando falamos de bênção, falamos de recordar que Deus faz parte da nossa caminhada. Não apenas do momento da preparação do matrimónio ou do dia da festa, mas de toda a vida que os dois vão construir juntos”, explicou.
Para a responsável, a celebração ajuda igualmente a fortalecer a vocação matrimonial e familiar.
“As vocações nascem no seio da família. Independentemente da vocação a que somos chamados, é na família que encontramos apoio, cuidado e orientação”, referiu.
Casada há 13 anos e mãe de duas filhas, Ana Abelha considera que a vivência da fé em família é um testemunho que se transmite naturalmente às novas gerações.
“As nossas filhas acompanham-nos na vida da Igreja e crescem vendo que Deus faz parte do nosso quotidiano. É um caminho que fazemos juntos”, afirmou.
No final da celebração foram benzidos os tradicionais pães de Santo António, uma tradição lembrada pela irmã Jaqueline Mendes (superiora da comunidade que reside no convento, das irmãs de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor-ramo contemplativo), que fez os pães que, depois da bênção, foram distribuídos e partilhados pelos participantes na Eucaristia, num gesto de fraternidade inspirado na generosidade que marcou a vida do santo português. Reza a lenda que António levava os pães do conventos para os pobres e doentes e que eles ficavam curados
Santo António, nascido em Lisboa no século XII, foi sacerdote franciscano, pregador e um dos santos mais populares da Igreja, da qual é Doutor. Embora seja popularmente conhecido como o “santo casamenteiro”, a sua fama está sobretudo ligada à sua profunda vida espiritual e aos inúmeros gestos de caridade para com os mais pobres, continuando a ser um modelo de fé, serviço e proximidade para os cristãos de todos os tempos.





