Pelo Pe Marco Martinho*

Nesta semana em que celebramos o 481º aniversário da criação da nossa Diocese, é-me pedido um olhar sobre os santuários como lugares da afirmação da fé.

Considero que os santuários são lugares privilegiados para a afirmação da fé, uma vez que a vivência da fé desenvolve-se naturalmente nestes locais sagrados.

Os fiéis dirigem-se naturalmente aos santuários para expressar a sua fé e é aqui que os responsáveis por estes espaços terão que estar atentos àqueles que para lá peregrinam, desenvolvendo a sua missão de os acolher e orientar espiritualmente.

Pela grande afluência de fiéis, os santuários deveram ser naturais centros de espiritualidade e de formação cristã.

O Presidente do Conselho Permanente da Associação dos Reitores dos Santuários de Portugal, Pe. Sezinando Alberto, no livro “Santuários de Portugal”, refere que os responsáveis pelos santuários deverão esforçar-se “por criar condições favoráveis para que os peregrinos se encontrem com Deus, ou pelo menos respirem a sua presença ou se sintam interpelados para a abertura ao transcendente”.

Além daqueles que peregrinam aos santuários pela fé, também há muitos que para lá se dirigem somente para visitar estes lugares sagrados, que são também uma manifestação cultural da vivência dum povo. A esses também teremos que saber chegar para que na sua passagem possam levar o bom testemunho da beleza e da bondade de Deus, expressa no espaço sagrado e no testemunho dos crentes.

Outro aspecto importante é o da formação cristã em articulação com os serviços diocesanos e de ouvidoria. Considero que os santuários deverão promover a formação cristã dos nossos agentes de pastorais.

A nossa Diocese criada há 481 anos possui cinco Santuários canonicamente erectos, três Cristológicos e dois Marianos, todos eles criados já no século XX e neste século XXI, pelos últimos três bispos diocesanos, a saber:

  1. Manuel Afonso de Carvalho, 36º Bispo de Angra, cria o Santuário Diocesano do Senhor Santo Cristo dos Milagres, no Convento da Esperança, na cidade de Ponta Delgada, em Abril de 1959 e o Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus Milagroso em São Mateus do Pico, em 1 de Julho de 1962.
  2. Aurélio Granada Escudeiro, 37º Bispo de Angra, cria o Santuário Diocesano de Nossa Senhora da Conceição, na cidade episcopal de Angra, em 1987 e o Santuário do Santo Cristo da Caldeira, na fajã do mesmo nome, da Paróquia da Ribeira Seca, na ilha de São Jorge, em Abril de 1996, mesmo no final do seu episcopado.

O actual Prelado Diocesano, D. António de Sousa Braga, 38º Bispo de Angra, já neste século XXI, em Maio de 2006, elevou à dignidade de Santuário Diocesano a Igreja de Nossa Senhora dos Milagres, na freguesia e paróquia da Serreta, na ilha Terceira.

Olhando a nossa realidade diocesana, considero que os santuários da nossa diocese deveriam promover uma pastoral de conjunto na programação de actividades comuns, pois para além da vivência da religiosidade própria de cada santuário, os mesmos terão que ser um foco de sã espiritualidade, de pastoral efectiva e de formação cristã de excelência e isto só será possível através de audazes e dinâmicas lideranças na promoção de uma eficaz pastoral de conjunto.

 

 

  • O Padre Marco Martinho é Reitor do Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus Milagroso