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Iniciativa decorre entre 18 e 25 de janeiro e é um apelo à fraternidade entre pessoas, raças e religiões

Realiza-se de 18 a 25 de janeiro o Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos, que une milhões de pessoas de várias Igrejas, e recorda este ano as questões raciais a partir de uma passagem do livro de Isaías “Aprendei a fazer o bem, procurai a justiça” (Isaías 1,7).

O tema e os materiais, publicados em conjunto pelo Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos e Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas, foram escolhidos e refletidos por um grupo de cristãos nos Estados Unidos da América (EUA) convocado pelo Conselho de Igrejas do Minnesota.

“O grupo de trabalho incluiu clérigos de várias gerações de Minnesota e lideranças leigas que trabalham na linha de frente destas temáticas. Eles foram responsáveis pelo cuidado espiritual e comunitário na região e testemunharam as frustrações e clamores do povo de Deus” lê-se nos documentos enviados agora pelo Serviço Diocesano de Apoio ao diálogo Ecuménico a todas as paróquias açorianas.

“Membros desse grupo de trabalho representaram muitas diferentes comunidades espirituais e culturais e incluíram comunidades indígenas e afro americanas que estiveram no centro de recentes percepções de problemas. Enquanto escreviam esses materiais, essas comunidades continuaram a viver a experiência de assassinatos extrajudiciais, a morte de crianças no crescimento da violência e contínuas dificuldades como resultado da pandemia” explica-se ainda.

Todos os textos recordam esta ideia da discriminação racial, que gera “injustiça e iniquidade” com dificuldades acrescidas para os mais frágeis e desprotegidos.

Os textos rebatem a ideia de uma religião ritualista que não sai em defesa dos mais pobres e vulneráveis.

“Na visão que se tinha naquele mundo (que se repete através da história) os ricos e os que faziam ofertas eram vistos como bons e abençoados por Deus, enquanto os pobres, que não podiam oferecer sacrifícios, eram vistos como perversos e amaldiçoados por Deus. Os pobres frequentemente eram rejeitados por sua inabilidade económica de participar plenamente da adoração no templo” referem os promotores da iniciativa.

“ A injustiça e a desigualdade levam à fragmentação e desunião. As profecias de Isaias , além de denunciar a hipocrisia de oferecer sacrifícios enquanto se oprime o pobre, denunciam as más estruturas políticas, sociais e religiosas. Ele fala vigorosamente seja contra líderes corruptos seja em favor dos desfavorecidos , enraizando o direito e a justiça exclusivamente em Deus”, salientam ainda as meditações propostas para este tempo de oração conjunta entre as várias Igrejas cristãs.

“O mundo de hoje, de muitas maneiras espelha os desafios de divisão que Isaías confrontou na sua pregação. Justiça, retidão e unidade têm a sua

origem no profundo amor de Deus por cada um de nós, estão no coração do que Deus é e do que Deus espera que sejamos uns para com os outros. O compromisso de Deus de criar uma humanidade de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap 7,9) chama-nos para a paz e para a unidade que Deus sempre quis para a criação”, concluem.

Algumas das iniciativas que assinalam a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, decorrem em Ponta Delgada e nas Flores onde existe a tradição de se fazerem celebrações ecuménicas apenas interrompidas durante o período da pandemia. Para as Igrejas e comunidades cristãs que vivem juntas a Semana de Oração foi providenciado um texto para a celebração ecuménica.

O ‘oitavário pela unidade da Igreja’, hoje com outra denominação, começou a ser celebrado em 1908, por iniciativa do norte-americano Paul Wattson, presbítero anglicano que mais tarde se converteu ao catolicismo.

O ecumenismo é o conjunto de iniciativas e atividades tendentes a favorecer o regresso à unidade dos cristãos, quebrada no passado por cismas e rupturas.

As principais divisões entre as Igrejas cristãs ocorreram no século V, depois dos Concílios de Éfeso e de Calcedónia (Igreja copta, do Egito, entre outras); no século XI com a cisão entre o Ocidente e o Oriente (Igrejas Ortodoxas); no século XVI, com a Reforma Protestante e, posteriormente, a separação da Igreja de Inglaterra (Anglicana).