A missão é sempre “gratificante”, dizem os seminaristas

Catorze alunos do Seminário Episcopal estiveram em diferentes ilhas- ouvidorias do Faial, Pico, Vila Franca, Flores, Povoação, Capelas e Ponta Delgada- para participar na missão proposta pela Semana dos Seminários, que este ano se inspirou numa passagem da exortação Cristo Vive, “O Senhor não pensa naquilo que tu és mas em tudo aquilo que poderás chegar a ser”.

Nuno Pacheco de Sousa, que está a um passo de ser ordenado diácono, e frequenta o sexto ano do Seminário, faz parte dos `veteranos´ em missão. Esteve no Faial, juntamente com outro colega de turma (João Farias) e ambos têm frequentado catequeses, grupos de jovens, eucaristias.

“É uma dinâmica interessantíssima, que no último ano ganha outro sabor e outra compreensão” afirma sublinhando o espanto e a curiosidade das pessoas relativamente a esta opção por parte de jovens do seu tempo.

“Este ano também temos tido um envolvimento diferente com os sacerdotes. Pelo menos da nossa parte há outro à vontade e outro olhar para essa figura talvez porque se está a aproximar também a nossa hora” referiu o futuro diácono.

“Estas saídas são muito importantes sob todos os pontos de vista, incluindo o conhecimento territorial da diocese já que qualquer uma destas paróquias que habitualmente visitamos pode ser a nossa casa futura. Por isso, toda esta dinâmica é muito importante”, sublinha este seminarista.

André Mota, natural do Faial, está no primeiro ano e por isso vive a sua primeira missão nesta semana dos seminários. Em Vila Franca têm sido várias as paragens para se apresentar e apresentar o Seminário Episcopal de Angra.

“As pessoas acolhem-nos muito bem e fazem imensas perguntas, sobretudo os mais novos que querem saber como é o seminário  e como é a nossa vida concreta no dia-a-dia”.

André Furtado está no seu segundo ano de missão, e no terceiro ano de Seminário. Nas Flores tem participado em vários encontros a contar a história da sua vocação. “Muito interessante” foi o retiro que fez, juntamente com o colega que com ele se encontra, com os acólitos desta ouvidoria das Flores e que “foi muito gratificante”.

“Pudemos falar da nossa história de vida e da história da nossa vocação; o acolhimento tem sido bom e as pessoas recebem muito bem a nossa mensagem. A saída do seminário tem esta vantagem: as pessoas conhecem-nos e nós conhecemos melhor as pessoas tomando pulso a realidades diferentes. Por isso cada saída é sempre uma descoberta” adianta o seminarista que é atualmente o que mais colabora com o Sítio Igreja Açores.

Durante a última semana os seminaristas fizeram uma pausa nos trabalhos académicos e participaram nesta missão. (ver todos os testemunhos em www.seminariodeangra.pt)

Numa Mensagem para a Semana dos Seminários, dirigida a toda a diocese, D. João Lavrador afirma que esta semana “serve para despertar todos os diocesanos para a sua responsabilidade na vida do Seminário Maior”. E concretiza: “Desde logo, no despertar vocacional, criando uma cultura vocacional onde Jesus de Nazaré tenha possibilidade de dirigir o Seu apelo aos jovens, mas também acarinhando o nosso Seminário Maior, oferecendo o estimulo necessário para que toda a comunidade educativa possa exercer bem a sua missão, mas também pela oração e pelo contributo económico, proporcionar os meios para que não faltem os recursos exigidos para a formação dos futuros sacerdotes”.

O prelado lembra que o Seminário “é uma comunidade de jovens” que orientados pela Equipa formadora e pelos professores “colocam a questão vocacional em direcção ao sacerdócio ministerial” e por isso deve ser “acarinhada” para que este tempo “de amadurecimento e de decisão” decorra sem sobressaltos.

“Este ano, torna-se especialmente significativa a caminhada sinodal para a qual o Seminário Maior deve estar particularmente atento. Não só para ajudar a descobrir os novos caminhos evangelizadores que esta forma de ser Igreja desperta nas comunidades cristãs, mas sobretudo, em cultivar este modelo sinodal na vida do próprio seminário” afirma a mensagem.

O prelado lembra ainda que este espírito de comunhão dentro da Igreja, proclamado no Concilio Vaticano II, deve ser um primeiro sinal visível a partir do Seminário.

“Através das dimensões humana, intelectual, espiritual e pastoral, devidamente articuladas e desenvolvidas, a renovação conciliar tem de manifestar-se em ordem a oferecer á Igreja diocesana presbíteros devidamente integrados no presbitério diocesano, fazendo a experiência de autêntica comunhão, bem capacitados para promover comunidades cristãs a viverem a unidade e a comunhão, desenvolvendo ministérios e carismas de modo que todo o Povo de Deus seja participante e corresponsável pela missão evangelizadora da Igreja” refere na mensagem.