Por Renato Moura

Os finalistas do meu curso (1967/68), no então Liceu Nacional da Horta, apresentaram uma peça teatral intitulada “A Longa Ceia de Natal”. Os actores, todos eles alunos e amadores, protagonizaram um grande sucesso numa peça de enorme qualidade. O autor contava a história de uma família revelada numa duradoura ceia de Natal. Ficou memorável.

Poderíamos todos contar a história das nossas vidas reportando-nos a cada Natal. Nascimentos, episódios da vida, partida de entes queridos (minha mãe faleceu num dia de Natal!) Dificuldades das famílias, expectativas sem promessas; a penúria das prendas, mas alegria esfuziante por receber coisinhas hoje parecendo desprezíveis.

O pior da prenda nem é a falta dela: é prometer e não cumprir.

A Ilha das Flores é a mais penalizada dos Açores: lonjura, dureza climatérica, esquecimento, más decisões políticas e ou falta delas. Primeira fase da autonomia: desenvolvimento harmónico das ilhas; evidentemente está esquecido. Abandonado sem defesa! Precisaria credibilidade e coragem, sem apego aos lugares.

A pista do aeroporto das Flores atingiu a dimensão máxima; foi dura a luta para impor essa decisão; melhorou muito a operacionalidade, reduziu cancelamentos.

A decisão de iluminar a pista, para possibilitar operações durante a noite, tem sido sucessiva e repetidamente prometida por vários governos. Continua sem a certificação legal! As Flores não requereria voos regulares da SATA à noite; precisaria de em situações de sucessivos cancelamentos de aumentar as horas de operação e repor alguns de noite. Até os leigos percebem que durante os dias há ventos violentos e não raro se seguem noites calmas.

Os aviões da SATA, durante a noite, estão inactivos e disponíveis; e está demonstrada a qualidade e disponibilidade das tripulações para servir as ilhas. Todavia os critérios da programação de voos, regulares ou extraordinários, por vezes não são explicáveis.

É incompreensível e indesculpável que os governos, de cá ou de lá, não certifiquem a iluminação; completando o que tiver de o ser, gastando dinheiro se indispensável for. E imperdoável que os deputados não lutem por isso com valentia; e indecente quando algum se incomoda de ser confrontado!

Quando alinhava esta partilha havia gente sob a ameaça de passar o Natal onde não queria. Já tantas vezes foi Natal sem darem a certificação que não é prenda, mas obrigação para com os florentinos, prometida e nunca cumprida.

Seja onde e a quem for, que o bom Deus traga a prenda de alegre Natal; e iluminação aos necessitados