Ouvidorias fazem convergir esta manifestação pública de fé para uma procissão única concentrando todas as comunidades paroquiais

A Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, que a igreja católica celebra no próximo dia 31 de maio “realça o fundamental da fé cristã que se traduz no reconhecimento da presença real de Jesus Cristo no Sacramento da Eucaristia” afirma o bispo de Angra, uma das dioceses onde esta festa tem uma expressão maior.

Há mesmo uma ouvidoria, na ilha de São Miguel, onde o Dia de Corpo de Deus, feriado religioso reposto no calendário nacional há dois anos depois de uma suspensão durante o período em que Portugal foi intervencionado por instâncias externas, coincide com o feriado municipal do concelho. Na Povoação, este é um dos dias mais importantes com as ruas a encherem-se de fieis para uma das festas principais do concelho, com as varandas engalanadas e os inúmeros tapetes de flores que cobrem as ruas deste concelho micaelense que recebe neste dia as várias comunidades paroquiais que se incorporam na procissão, com a participação de todas as filarmónicas.

A celebração do Dia do Corpo de Deus tem um profundo enraizamento popular, desde logo porque está associada ao feriado municipal. Por isso, ao contrário de outros lugares o sermão ºe feito junto ao edificio da Câmara Municipal e aí é feita a bênção do Santíssimo, como avançou ao Igreja Açores o Pe. João Ponte.

“Todas estas festividades têm um vasto programa profano estendendo-se entre quarta feira e domingo e que marca o Corpo de Deus”, acrescenta o sacerdote.

A Solenidade Litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo começou a ser celebrada há mais de sete séculos, em 1246, na cidade de Liège, na atual Bélgica, tendo sido alargada à Igreja latina pelo Papa Urbano IV através da bula ‘Transiturus’, em 1264, dotando-a de missa e ofício próprios.

Na origem, a solenidade constituía uma resposta a heresias que colocavam em causa a presença real de Cristo na Eucaristia, tendo-se afirmado também como o coroamento de um movimento de devoção ao Santíssimo Sacramento; terá chegado a Portugal provavelmente nos finais do século XIII e tomou a denominação de Festa de Corpo de Deus.

A “comemoração mais célebre e solene do Sacramento memorial da Missa” (Urbano IV) recebeu várias denominações ao longo dos séculos: festa do Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo; festa da Eucaristia; festa do Corpo de Cristo.

Esta solenidade “enraiza-se no Mistério Pascal de Cristo” e pretende oferecer a “valorização” da Ceia Pascal, continuada na Eucaristia, que por vontade de Jesus Cristo O tornaria presente junto dos seus discípulos.

“No contexto de tantas manifestações publicas da fé cristã, a solenidade do Corpo e Sangue de Jesus Cristo orienta-nos para o centro e mais fundamental da vivência cristã, a Eucaristia, da qual se gera a comunidade dos discípulos de Cristo e a partir da qual a missão evangelizadora se deve desenvolver” esclarece ainda D. João Lavrador interpelado pelo Sítio Igreja Açores.

“Hoje o grande desafio é tornar as comunidades cristãs verdadeiramente cristocêntricas, despertar os cristãos indiferentes ou mal centrados na sua fé e evangelizar uma cultural dominada pelo individualismo e vitima do secularismo” diz ainda o prelado sublinhando a importância e os desafios desta festa que se assinala em toda a diocese de Angra.

Ainda em São Miguel destaque para Ponta Delgada onde a ouvidoria faz convergir as paróquias da cidade para a Igreja Matriz de São Sebastião onde será celebrada a Eucaristia às 18h00 seguida de procissão. Às 19h00, realiza-se a Procissão do Santíssimo Sacramento com bênção final.

A Zona Pastoral de Angra vai celebrar com toda a Igreja a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo na quinta feira, com a Eucaristia, pelas 18h00, na Sé, presidida pelo bispo de Angra, seguida de Procissão até ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição, onde decorrerão as Vésperas animadas pelo Seminário Episcopal de Angra. A festa começa com a primeira comunhão na Missa das 11 juntando as crianças da paróquia da Sé e do Colégio de São Gonçalo- este ano serão 12- e à tarde a procissão é um dos pontos altos.

“É um testemunho publico de fé na qual se pretende que cada comunidade manifeste a sua própria identidade e por isso, todas as paróquias foram convidadas a trazer a sua cruz e a incorporarem-se nesta festa”, avança ao sítio Igreja Açores o ouvidor de Angra, Cónego Ricardo Henriques.

“É um testemunho público da presença do Senhor, vivo e real na Eucaristia”, esclarece.

Também na Horta, na Igreja do Santíssimo Salvador, às 18h00, será celebrada Missa Solene do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, com a presença do Clero, das Irmandades, Confrarias e Ordens Terceiras. Será presidida pelo ouvidor, Pe. Marco Luciano Carvalho e animada pelo Grupo Coral Litúrgico e Orquestra de Sopros da Matriz. Segue-se a Procissão para a Igreja de Nossa Senhora da Conceição , onde haverá o encerramento com a Bênção Santíssimo Sacramento no Adro da Igreja da Conceição. Antes haverá uma preparação com a realização de um tríduo que será pregado pelo Vigário Paroquial da Matriz da Horta, Pe. Nelson Pereira. No dia 28 de Maio – primeiro dia do tríduo- o tema será “Eucaristia – Alimento da fé do crente”, com Adoração Eucarística e Sacramento da Reconciliação, entre as 17h00 e as 18h00, altura em que será celebrada a Eucaristia. No segundo dia o tema será “Eucaristia – Mistério de Comunhão da Comunidade” e, no terceiro dia a “Eucaristia – na Missão ser rosto vivo de Cristo”. Neste dia 30 de maio o Sacramento da Reconciliação começa a ser proporcionado às 15h30 e às 18h00 haverá Missa Solene com a “Bênção das Rosas”.

Na Ouvidoria do Pico realizam-se seis procissões no dia da Solenidade do Corpo de Deus: na Zona Pastoral da Madalena há procissão na Matriz da Vila Madalenense, no Santuário do Senhor Bom Jesus, em São Mateus e na Paróquia da Candelária, este ano no Curato de Santo António do Monte. Na Zona Pastoral das Lajes haverá procissão na Matriz da Vila Lagense e em Santa Bárbara das Ribeiras. Na Zona Pastoral de São Roque na Matriz da Vila nortenha. Realce-se a tradição da feitura de tapetes de flores e verduras nos percursos das procissões, que saem à rua acompanhadas pelas filarmónicas locais.

Na ouvidoria da Graciosa, a festa é na Praia, com uma procissão única. Na Solenidade do Corpo de Deus quase todas as paróquias realizam a festa da primeira comunhão com as suas crianças da catequese.