Duas religiosas da Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus contam ao Sítio Igreja Açores como “aderiram” à vida Consagrada

Uma é de Bragança, a outra de Setúbal. Ambas têm em comum um percurso semelhante. Oriundas de famílias grandes, quer a Irmã Graça quer a Irmã Mariana tiveram de lutar contra a resistência da família, que acabou por se resignar. A porta de entrada para o “chamamento” foi o campo de férias e a oportunidade “Vinde e vede” que a Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus organiza anualmente.

“Quando participei pela primeira vez nessa atividade, aos 18 anos, a questão da vocação não se colocava, nem estava esclarecida” admite a irmã Maria da Graça, nascida numa aldeia do distrito de Bragança, e que hoje é a superiora da comunidade das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, em Ponta Delgada.

Religiosa há 31 anos, nem por um momento se arrependeu do caminho escolhido. A resistência familiar inicial ou as dúvidas no processo de discernimento, nunca foram suficientes para a afastar da estrada da vida consagrada.

“É um sim que se vai rezando e discernindo… Deus é eternamente fiel e por isso apostamos nessa fidelidade, procurando corresponder-Lhe com a nossa fidelidade humana”, diz a Irmã Maria da Graça, a sétima filha de uma família de oito irmãos. Só uma prima “afastada” também seguiu esta vida.

“Quando Jesus nos toca e nos chama nós não temos como dizer não e Ele foi muito claro no momento de oração do retiro que fiz a seguir ao campo de férias durante o qual contactei, pela primeira vez, com esta congregação, o seu carisma e o seu trabalho, em 1979”, recorda.

No ano seguinte, quando regressou a Braga para uma nova iniciativa do género já “trouxe mala para ficar” pois as dúvidas tinham-se dissipado no retiro da Páscoa.

“Nessa altura senti-me verdadeiramente tocada e não hesitei… até hoje”, diz. Inquietações? “Procuro ser resposta fiel a Jesus. Na palavra de Deus procuro as respostas para as minhas interpelações, vivendo esta união de corações na comunidade e levando este amor concreto aos doentes”, conclui.

Foi, aliás, à cabeceira de uma doente que não falava, que a Irmã Mariana Camacho sentiu o “click”, por volta dos 19 anos. Desde os 15 que frequentava as diferentes actividades da Congregação.

“Lembro-me das irmãs me dizerem ou decides ou não vens mais porque há sempre muitas hesitações” diz a religiosa que só iniciou a caminhada cristã aos 15 anos, altura em que se batizou. A partir daí começou a integração na paróquia, depois os campos de férias da Congregação, retiros e “variadissimas actividades mas sempre longe da vocação discernida”, diz com à vontade.

A Irmã Mariana é a primeira de sete irmãos e talvez por isso “o choque foi maior para os meus pais que resistiram muito, mas hoje não tenho dúvidas que para o meu pai eu sou aquela filha…”.

“Foi bom para todos. No final acabaram por ganhar uma Mariana nova e eu ajudei-os a reconverterem-se” diz a religiosa que desempenha um papel muito ativo na Juventude Hospitaleira.

Neste ano de Vida Consagrada é uma das religiosas que está na primeira linha do contacto com os mais novos, quer nas aulas de catequese quer nas escolas ou mesmos nos dias em que a comunidade recebe jovens, com vista ao discernimento vocacional.

“Se eles conhecerem podem optar por esta vida. Ninguém escolhe o que não conhece, não é verdade?” interpela a Irmã Maria da Graça diante da concordância da Irmã Mariana.

“Eu, por exemplo, demorei a optar porque não conhecia quem era Jesus” explicita. Quando “comecei a contactar com outros jovens, com as mesmas interrogações, e começámos a aprofundar tudo foi mais fácil”.

Licenciada em Ciências religiosas pela Universidade Católica , esta setubalense, com costela alentejana, reconhece que teve de deixar “muitas coisas que gostava de fazer” mas não sente “que tenha perdido com isso”. Aliás, o que tenho “devo-o à congregação”, remata.

Questionada sobre como explica a miúdos adolescentes a “alegria de ser religiosa consagrada”, a Irmã Mariana Camacho dá resposta imediata: “pergunto-lhes apenas se querem ser felizes e para alcançarem essa felicidade até onde estão dispostas a arriscar”, sublinha lembrando que é este o desafio que o papa Francisco faz todos os dias.

A Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, nasceu em Espanha em 1881, pela mão conjunta de São Bento Menni, Maria Récio e Maria Jiménez.

Presente em 27 países, espalhados por quatro continentes- África, Ásia, Europa e América Latina- possui duas casas nos Açores. Além da de Ponta Delgada existe a Casa de Saúde do Espírito Santo, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.

No total são 11 as irmãs que lidam dirariamente com a problemática da saúde mental no femnino na diocese de Angra, trabalhando em conjunto com técnicos e auxiliares devidamente formados nas diferentes áreas da saúde mental.