
A Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) em Portugal alertou hoje para a desigualdade que afeta as mulheres, associando-se à mensagem internacional que exige o fim da precariedade e da discriminação laboral.
“Podemos falar de pobreza programada, as mulheres serão sempre mais pobres”, denuncia a comissão executiva da LOC/MTC, advertindo que estas desigualdades salariais resultarão, no futuro, em reformas muito baixas.
A nota nacional da organização, enviada à Agência ECCLESIA, sublinha que, apesar das melhorias registadas no acesso à educação e ao mercado de trabalho, as mulheres continuam a ser as mais penalizadas pelos trabalhos a tempo parcial e pelos baixos ordenados.
A estrutura portuguesa divulgou a mensagem do Movimento Mundial dos Trabalhadores Cristãos (MMTC) para assinalar a data, prestando tributo a todas as que se dedicam ao bem-estar familiar e social.
“Não podemos ignorar as condições de trabalho injustas, a discriminação e a violência que ainda enfrentam muitas mulheres no mundo”, sustenta o documento internacional.
A reflexão deste ano foi redigida pelo movimento da ilha da Reunião e centra-se no testemunho na primeira pessoa de Joëlle, uma trabalhadora e sindicalista.
A ativista alerta para a persistência de obstáculos no acesso a promoções e cargos de chefia, revelando que os processos de tomada de decisão continuam a ser largamente dominados por homens.
“Critérios implícitos relacionados com a aparência e a beleza nos lembram que as mulheres são frequentemente avaliadas pela sua imagem antes de serem avaliadas pelas suas competências”, lamenta a sindicalista.
A mensagem aborda ainda a sobrecarga associada à gestão da casa, à educação dos filhos e ao cuidado de familiares idosos, que se soma às responsabilidades profissionais diárias.
“Esta dupla jornada, assumida em grande parte pelas mulheres, reflete a desigualdade na distribuição das tarefas domésticas e familiares, apesar da crescente participação feminina no mercado de trabalho”, assinala o texto.
Perante uma realidade partilhada por milhões de trabalhadoras em todo o mundo, os movimentos católicos exigem uma transformação social profunda e o combate efetivo aos estereótipos.
“A necessidade de reforçar os direitos das mulheres, de denunciar as discriminações profissionais e de reconhecer plenamente o seu papel, muitas vezes invisível mas indispensável na sociedade, continua a ser atual”, conclui o documento do MMTC.
(Com Ecclesia)