A paz como desafio urgente para o mundo e para as comunidades cristãs é a ideia central da entrevista do padre Pedro Lima ao Sítio Igreja Açores

Num tempo marcado por conflitos, divisões e individualismo, o padre Pedro Lima aponta a paz como a grande “boa notícia” desejada para o mundo neste tempo pascal, numa entrevista ao programa de Rádio Igreja Açores, partir do significado da Páscoa, que vai para o ar na Antena 1 Açores às 10h00 e no Rádio Clube de Angra depois do meio-dia, deste domingo de Páscoa, estando também disponível em podcast em www.igrejaacores.pt.
“Boa notícia seria a paz, em que houvesse entendimentos, acordos”, afirma, sublinhando a necessidade de a humanidade aprender com o passado e reconhecer que “a única solução é a paz, quando somos capazes de aceitar a diferença”.
A partir da celebração da Páscoa, o sacerdote, que é pároco em Santa Lúzia, em Angra do Heroísmo e assistente nacional da LOC/MTC (Liga Operária Católica / Movimento de Trabalhadores Cristãos) e a JOC (Juventude Operária Católica), apresenta a mensagem cristã como um caminho concreto para essa transformação. No centro está a cruz de Cristo, que define como alternativa às lógicas de violência: “A cruz é a verdadeira revolução do amor”. Uma revolução que, explica, “não passa pelo poder, pela guerra, mas sim pelo amor, pela entrega”.
Esta visão ganha particular relevância num contexto global onde, apesar de muitos se afirmarem cristãos, persistem conflitos e desigualdades. Para o padre Pedro Lima, a resposta está na vivência autêntica do Evangelho: “Jesus amou-nos até ao fim”, recorda, apontando a cruz como revelação de “um Deus próximo, solidário”, que convida cada pessoa a viver segundo essa mesma lógica de amor.
A paz, contudo, não se constrói apenas em grandes decisões políticas, mas no quotidiano de cada um. A Páscoa, enquanto “passagem”, implica uma mudança concreta de atitudes: “Passagem de um mundo fechado, egoísta ou orgulhoso, para uma sociedade fraterna, solidária, preocupada com o outro”. Essa transformação começa em gestos simples – “gestos de partilha, de generosidade, de reconciliação” – que tornam visível o Evangelho na vida diária.
O sacerdote insiste que esta dimensão prática da fé é essencial.
“As celebrações não são o fim em si mesmo, são o meio, são o alimento”, afirma, defendendo que a vivência litúrgica deve conduzir ao compromisso concreto com os outros, sobretudo os mais vulneráveis.
Neste sentido, destaca o exemplo da Quinta-feira Santa e do lava-pés como modelo de uma Igreja ao serviço: “Uma Igreja com a toalha à cintura, capaz de se ajoelhar perante o outro”. Este gesto, acrescenta, não pode ficar limitado ao espaço da celebração, mas deve prolongar-se na atenção aos mais pobres, às famílias em dificuldade, aos migrantes e a todos os que vivem em situação de fragilidade.
Também nas comunidades açorianas, o padre Pedro Lima vê na Páscoa um apelo à construção de relações mais solidárias. Defende “comunidades vivas de partilha e solidariedade”, capazes de ir além dos templos e de responder às realidades concretas, como o trabalho precário, a habitação ou a integração de quem chega de fora.
Ao mesmo tempo, a mensagem pascal é apresentada como fonte de esperança. A Ressurreição, explica, não é apenas um acontecimento do passado, mas um convite a viver de forma nova: “A Ressurreição é uma nova criação”. Uma realidade que se traduz na capacidade de recomeçar, de olhar o futuro com confiança e de contribuir para um mundo mais justo.
“O melhor do cristão é o que ele vai fazer”, afirma, sublinhando que a fé aponta sempre para o amanhã. Assim, a construção da paz passa também por esta atitude de compromisso contínuo, alimentada pela esperança e pela certeza de que “temos muito a fazer e a construir”.
A entrevista completa poderá ser ouvida na Antena 1 Açores às 10h00, no Rádio Clube de Angra depois do meio-dia, e em podcast no Sítio Igreja Açores, em www.igrejaacores.pt.