EAPN Portugal relança campanha contra o discurso de ódio, transformando frases marcadas pelo preconceito

“Se vêm para cá, e querem desenvolver-se  têm é que respeitar e ser respeitados”

Foto: Logotipo da EAN

A EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza anunciou hoje que relançou a campanha “O Discurso de Ódio Não É Argumento”, como resposta a um tempo em “que certas formas de discriminação continuam a circular com demasiada leveza”.

Lançada originalmente em 2021, a iniciativa apresenta-se cinco anos depois com uma nova abordagem gráfica, uma nova frase e o envolvimento de várias figuras públicas de diferentes áreas da sociedade portuguesa.

“Esta campanha nasce dessa realidade e procura intervir onde muita discriminação começa a ganhar espaço: na linguagem e na forma como certas mensagens se repetem até parecerem normais”, explica a coordenadora nacional da EAPN Portugal / Rede Europeia Anti-Pobreza, Maria José Vicente, num comunicado citado pela Agência Ecclesia.

A iniciativa surge no início da Semana da Interculturalidade 2026, entre 7 e 14 de abril, desta Organização Não Governamental para o Desenvolvimento que trabalha todos os dias com pessoas e comunidades que continuam a enfrentar discriminação e desigualdade no seu quotidiano.

A EAPN Portugal explica que ideia da campanha parte expressão “dar a volta ao texto”, entendida como a capacidade de contrariar um argumento e devolver-lhe outro sentido, transformando “frases marcadas pelo preconceito em respostas que afirmam dignidade e recusam a normalização do ódio”.

Maria José Vicente salienta que esta ação está alinhada com o trabalho da organização no combate à pobreza e à exclusão social, ao chamar a atenção para a forma como o discurso de ódio mina a convivência democrática e torna mais fácil excluir quem já está em posição vulnerável.

O discurso de ódio não começa apenas em manifestações extremas ou em contextos de violência explícita. Muitas vezes, aparece em frases que se dizem com aparente naturalidade, como se não transportassem violência”, expressou.

A responsável assinala que, “ao responder a essas frases com firmeza e sem perder a humanidade, esta campanha procura desmontar preconceitos e afirmar que a dignidade humana não é negociável”.

Apesar de manter a base concetual da versão original, este ano, a presença visual da campanha aproxima-se do universo das redes sociais e das plataformas de mensagens.

As frases surgem em “blocos coloridos, visualmente próximos de conversas digitais, sublinhando a forma como muitos discursos discriminatórios circulam hoje no comentário rápido, na publicação partilhada ou na frase dita quase sem pensar”, descreve a EAPN Portugal.

No que respeita às t-shirts da campanha, os balões aparecem apontados em direções diferentes, sugerindo que a resposta é dada pela própria pessoa que veste a peça.

“A ideia é simples: transformar o corpo num lugar de posicionamento público”, diz a organização.

Miguel Januário, autor da campanha original de 2022 e responsável pela nova edição gráfica, realça que “o objetivo não é amplificar a agressão, é desmontá-la”.

“Estas frases não respondem com moralismo. Respondem de frente, com dignidade e com algum humor. Isso cria identificação e também obriga a pensar”, mencionou.

campanha de 2026 conta com seis frases: “Se vêm para cá têm é que respeitar e ser respeitados”, “Toda a gente sabe que o lugar da mulher é onde ela quiser”, “Faziam bem era se fossem trabalhar com ordenados dignos”, “Se tem algum jeito, uma pessoa ser aquilo que é”, “Vai mas é para a tua terra, aqui não há lugar ao racismo”, “Isto agora deve ser moda, amar quem se quer”.

Segundo o designer, as “mensagens funcionam porque partem de frases que toda a gente já ouviu ou leu”, acrescentando que “o ‘plot twist’ não serve apenas para ser engraçado”, mas para “mostrar que há sempre outra forma de responder e de ocupar o espaço público sem cair no mesmo registo”.

Entre as figuras públicas que vão vestir as t-shirts da campanha e ajudar à sua divulgação nas redes sociais estão António Raminhos, Ágata, Gustavo Carona, Chef Rui Paula e Jorge Gabriel.

A organização pretende, com o relançamento desta campanha, “mais do que responder a frases ofensivas”, “afirmar uma ideia simples: o discurso de ódio não é debate, não é argumento e não pode ser normalizado”.

Fundada em 1990, em Bruxelas, a EAPN está atualmente representada em 31 países, nomeadamente em Portugal. Criada em 17 de dezembro de 1991, a EAPN Portugal centra o seu trabalho de combate à pobreza e exclusão social através de ações nas áreas da participação, investigação, projetos, sensibilização, formação, capacitação e influência política.

(Com Ecclesia)

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