Nova resposta da Cáritas aproxima candidatos e empresas com modelo inovador que une empregabilidade, dignidade humana e responsabilidade social

A Ilha Terceira volta a afirmar-se como palco de inovação social e económica com a apresentação oficial do Projeto VOO – Valorização e Orientação para Oportunidades, uma iniciativa concebida pela Cáritas da ilha Terceira, com o apoio da Diocese de Angra, para transformar a forma como candidatos, em situação de vulnerabilidade, e empregadores se encontram, colaboram e crescem em conjunto.
Na sessão de apresentação, que decorreu esta segunda feira em Angra do Heroísmo, D. Armando Esteves Domingues sublinhou que “em primeiro lugar está a pessoa humana”, recordando que cada ser humano “foi criado à imagem de Deus e, por isso, não pode ser reduzido a uma peça de engrenagem”. Uma reflexão que serviu de base à criação deste projeto, desenvolvido para responder aos desafios atuais do mercado de trabalho.
O Projeto VOO propõe uma jornada integrada entre candidato e empregador, acompanhando todas as etapas do processo: desde a preparação pessoal e profissional dos candidatos, à sua integração nas empresas e posterior acompanhamento, sempre em articulação com as necessidades reais das entidades empregadoras.
Para o Bispo de Angra, o trabalho deve ser visto para além da dimensão económica.
“O trabalho não é apenas um salário, é também fonte de realização pessoal. Trabalhar dignamente, sentir-se útil e respeitado”, afirmou, acrescentando que muitos ainda desconhecem esse valor transformador.
Segundo o prelado diocesano a entrada no mercado laboral pode representar para muitas pessoas “a devolução de alguma dignidade perdida”, sobretudo no caso dos grupos mais vulneráveis, que precisam de oportunidades concretas e de alguém “que não os julgue, mas lhes dê ferramentas para crescer”.
A iniciativa nasce também da convicção de que empresas e organizações devem ser mais do que estruturas orientadas por resultados.
“Uma organização ou uma empresa deve ser uma comunidade de pessoas”, defendeu o prelado.
“Não estamos apenas para medir resultados, mas para criar lugares onde as pessoas possam crescer, cooperar, cair e levantar-se, colaborar e construir um bem comum.”
Nesse sentido, o VOO procura responder a dificuldades hoje sentidas por muitos empregadores, como a ausência de hábitos de trabalho, lacunas técnicas ou dificuldades de integração de novos colaboradores. Para o responsável diocesano, importa perguntar “que mecanismos de ajuda se podem criar”, defendendo uma abordagem assente numa verdadeira visão humana.
D. Armando Esteves Domingues apelou ainda à necessidade de líderes capazes de unir competência e sensibilidade social.
“O mundo do trabalho precisa de gente com visão humana, coração social e responsabilidade ética”, afirmou. Líderes que saibam “ver a pessoa por detrás da função e a história por detrás do currículo”.
A Cáritas, destacou, é “a primeira mão da caridade” e tem vindo a desenvolver este caminho em parceria com diversas entidades, entre elas o apoio do Grupo Jerónimo Martins, reforçando respostas de inclusão, capacitação e promoção social na Diocese de Angra.
O bispo de Angra sublinhou também que “as pessoas nunca estão totalmente formadas” e que é preciso investir primeiro na pessoa para depois trabalhar o colaborador.
“Se uma pessoa crescer em todas as suas dimensões, o seu crescimento será reprodutivo”, frisou.
O nome VOO simboliza precisamente essa missão: ajudar pessoas a ganhar autonomia, confiança e futuro, enquanto contribuem para o crescimento sustentável das empresas e da economia local.
“Hoje começa um voo”, afirmou D. Armando Esteves Domingues, deixando a ideia de que esta iniciativa poderá marcar um novo rumo na história social e laboral da Região. Um voo que parte da Terceira, mas assente numa certeza simples e poderosa: quando se investe verdadeiramente nas pessoas, toda a comunidade cresce com elas.
Mais do que um programa tradicional de empregabilidade, o Projeto VOO apresenta-se como uma resposta integrada e moderna aos desafios atuais do mercado de trabalho, criando uma ligação direta entre quem se encontra numa situação de vulnerabilidade, seja por deficiência ou física, exclusão social e procura uma oportunidade profissional e as empresas que necessitam de talento preparado e ajustado às suas reais exigências.
A iniciativa nasce da constatação de que muitas empresas enfrentam dificuldades em recrutar perfis adequados ao mesmo tempo que numerosos candidatos encontram barreiras no acesso ao emprego por falta de preparação específica, orientação personalizada ou acompanhamento durante a adaptação inicial.
Nesse contexto, o Projeto VOO surge como ponte entre estas duas realidades, promovendo um modelo centrado nas necessidades concretas das empresas e no desenvolvimento do potencial humano dos candidatos.
Ao apostar numa abordagem personalizada, o projeto pretende valorizar competências, reforçar a confiança dos participantes e aumentar a taxa de sucesso nas contratações, reduzindo desencontros entre oferta e procura laboral.
Para os empregadores, a proposta representa também uma mais-valia estratégica, ao permitir acesso a candidatos mais preparados, acompanhados e alinhados com os perfis procurados, favorecendo integrações mais rápidas e sustentáveis.
Para os candidatos, significa a oportunidade de beneficiar de um percurso estruturado, com apoio próximo, orientação prática e melhores condições para construir uma carreira estável.
O nome VOO simboliza precisamente essa ambição: criar condições para que talentos locais possam levantar voo rumo a novas oportunidades profissionais, contribuindo simultaneamente para o crescimento das empresas e para o desenvolvimento económico da Ilha Terceira.
Com esta nova resposta, a Terceira reforça a sua capacidade de criar soluções inovadoras ajustadas à realidade regional, mostrando que o futuro do emprego pode começar com proximidade, visão estratégica e acompanhamento humano.
A sessão de apresentação do projeto contou ainda com a partilha de experiências entre grupos empresariais e organizações sociais que trabalham com públicos vulneráveis.









