Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres em Santa Maria com críticas à falta de transportes

A ilha de Santa Maria volta a celebrar a tradicional Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres, este ano presidida pelo capelão militar padre Bruno Espínola. Apesar da continuidade da devoção e do programa habitual, a organização lamenta a insuficiência de transportes para os peregrinos que pretendem participar nas celebrações.
Segundo o provedor da Irmandade, Hélder Pimentel, os constrangimentos no acesso à ilha continuam a marcar negativamente a participação nas festas. O responsável aponta diretamente à falta de resposta da SATA, sublinhando que “continua a não garantir o transporte necessário dos peregrinos”, contrariando promessas anteriores de apoio às festividades tradicionais.
O programa mantém a estrutura habitual, com início na sexta-feira, dia 15 de maio, pelas 20h00, com a iluminação da fachada da igreja de Nossa Senhora da Vitória, abertura do arraial, bazar e tasquinhas. A animação musical arranca com uma banda local, seguindo-se atuações de cantadores de São Jorge, São Miguel e Terceira com modas antigas, cantigas ao desafio e desgarradas.
No sábado decorre um dos momentos centrais da celebração, com a missa da mudança da Imagem, marcada para as 18h00, seguida da tradicional procissão e restante programa religioso. À noite, destaque para o concerto da Filarmónica de Vila Franca do Campo, convidada da organização.
O domingo será marcado pela missa solene às 15h00, seguida da procissão pelas ruas de Vila do Porto, num dos momentos mais emblemáticos das festividades. O encerramento contará com a atuação de Jorge Guerreiro, cabeça de cartaz deste ano, além de um concerto da Filarmónica Recreio Espírito Santo de Santa Maria e fogo de artifício à meia-noite.
Com mais de meio século de história – a tradição foi iniciada em 1971 por funcionários do aeroporto- estas festas nasceram da necessidade dos micaelenses residentes em Santa Maria cumprirem promessas sem terem de se deslocar a São Miguel. Hoje, embora os transportes sejam mais acessíveis, a tradição mantém-se viva, ainda que com mudanças nos hábitos dos fiéis.
Hélder Pimentel destaca também a vertente social da Irmandade, que ao longo do ano apoia famílias carenciadas, nomeadamente na aquisição de medicamentos, óculos e outros bens essenciais.
“As ofertas que recebemos revertem para ajudar quem mais precisa”, sublinha.
O provedor reconhece ainda o apoio da Câmara Municipal como essencial para a realização das festas, mas admite dificuldades na mobilização dos mais jovens, apontando esse desafio à ação pastoral da Igreja.
Apesar das limitações, a organização reafirma o compromisso de manter viva a tradição, em honra de uma devoção profundamente enraizada na comunidade marienses.
“O meu pai foi um dos fundadores e eu prometi-lhe que enquanto pudesse esta festa contaria sempre comigo”, conclui o provedor.
As Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres em Santa Maria, ocorrem no sétimo domingo da Páscoa, imediatamente a seguir ao domingo do Senhor santo Cristo de Ponta Delgada.