Padre Marco Martinho destaca Espírito Santo como “força viva” da fé açoriana

Sacerdote açoriano afirma que as festas do Espírito Santo continuam a ser um sinal de esperança, união e renovação espiritual para as comunidades, numa altura em que a sociedade enfrenta desafios humanos e religiosos cada vez mais exigentes

Foto: Padre Marco martinho, ouvidor da Horta deu as boas-vindas

À medida que os Açores vivem intensamente mais um ciclo das tradicionais celebrações do Espírito Santo, particularmente neste fim de semana e no próximo (Pentecostes e Trindade), o padre Marco Martinho, ouvidor do Faial, afirma que o Espírito Santo “não é apenas uma memória litúrgica ou uma tradição cultural”, mas antes “uma presença viva de Deus que continua a agir no coração das pessoas e das comunidades”, contrastante com o clima polarizador que a sociedade atravessa hoje.

Segundo o padre Marco Martinho, as festividades do Espírito Santo mantêm uma atualidade impressionante porque conseguem unir diferentes gerações em torno de valores essenciais como a partilha, a fraternidade, a solidariedade e a fé.

“O Espírito Santo inspira-nos a sair de nós próprios, a olhar para o outro com mais compaixão e a construir comunidades mais humanas e mais próximas”, afirmou.

O sacerdote destacou ainda que estas celebrações assumem um papel importante num tempo marcado por incertezas sociais, dificuldades económicas e algum afastamento da vida espiritual. Para ele, a festa do Pentecostes e as festas do Divino representam “um apelo à renovação interior”, convidando cada pessoa a reencontrar esperança e sentido para a vida.

“Quando falamos do Espírito Santo, falamos da força que consola, ilumina e fortalece. É essa presença que ajuda as famílias nas dificuldades, que sustenta os idosos na solidão e que dá coragem aos jovens para enfrentarem o futuro”, referiu.

Na entrevista ao programa de rádio Igreja Açores, que vai para o ar este domingo depois do meio dia na Antena 1 Açores e no Rádio Clube de Angra e pode ser ouvida aqui em podcast, o padre Marco Martinho recorda também que a tradição do Espírito Santo nos Açores ultrapassa a dimensão religiosa, constituindo um dos maiores símbolos da identidade cultural do arquipélago.

“Os impérios, as coroações, as esmolas e os bodos continuam a mobilizar milhares de pessoas em todas as ilhas, mantendo viva uma herança transmitida ao longo de séculos”, afirma o presbítero.

Apesar das mudanças sociais e culturais, o sacerdote acredita que esta devoção continua a tocar profundamente os açorianos.

“Enquanto houver pessoas dispostas a viver o Evangelho através da partilha e da fraternidade, o Espírito Santo continuará presente no nosso povo”, afirmou.

As celebrações prosseguem nos próximos dias em várias paróquias açorianas, reunindo fiéis emigrantes e visitantes num ambiente de fé, tradição e convívio comunitário que marca de forma única o calendário religioso da região.

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