Pelo Pe Ruben Pacheco*

A meu ver, nunca é nem será fácil olhar e descrever uma diocese tão única e especial na sua diversidade geográfica, cultural e vivencial sem correr o risco de que, essa mesma leitura, se torne incompleta e imperfeita, principalmente quando se junta o factor da idade.

Ser jovem poderá significar que ainda tem muito a crescer e a aprender, principalmente no que se toca à experiência mas também poderá significar um fervilhar de sonhos, desafios e projectos principalmente quando se olha a partir da Ilha do Dragão Adormecido, tal como contam as lendas e as abordagens culturais e geográficas que se faz de São Jorge.

Natural de São Miguel, estudante da Terceira e residente agora em São Jorge, vejo que cada Ilha é, de forma singular, única e completamente diferente das outras, como se nada mais existisse à sua volta (não fossem os olhos das gentes jorgenses acostumados a ver o Pico e o Faial de tantas e tão variadas formas, em quadros de mudança quase instantâneos que tornam cada momento único).

Este é, a meu ver um grande desafio, ter a consciência de que Deus convida a ver que cada ilha que compõe a nossa Diocese tem a sua forma de trabalhar, mas isso não impede e pode promover ao mesmo tempo o diálogo e a comunhão com as restantes oito ilhas em partilha de experiências tão diferentes no concreto mas tão iguais na essência, tal como o mesmo Oceano

que as banha. Quanto mais conheço, mais aprendo a compreender melhor e a dar a resposta correcta de que aquela comunidade necessita, assim como ler e interpretar os sinais dos tempos com a chave da fé em Cristo.

Unindo ao coração da Diocese, que é o Seminário, pode sentir-se o pulsar dos seus vários membros quando há contacto presente, permanente e pessoal, indo à procura de conhecer e compreender as realidades e experiências pessoais de cada comunidade.

Numa ilha pequena aprendemos a ver as coisas tal e qual como elas são, sem rodeios nem complexos, simples e humildes como o próprio Deus, mas que nos maravilham sempre de dia para dia. E nessas coisas simples descobrimos que há sempre alguém que está mais afastado, por orgulho, por preguiça ou até por medo, medo de não ser compreendido, aceite nem bem

vindo, se ser rotulado pela sua história de vida ou estatuto social. E quando nos tornamos simples e pequenos, sem complexos nem preconceitos, vemos que temos que ir aos locais mais improváveis e em situações que não imaginaríamos para ir ao encontro dos mais desfavorecidos e daqueles que mais necessitam para os conduzir e tornar mais próximos.

Afinal de contas, chego a conclusão de que é necessário respeitar os tempos e ritmos de cada lugar, mas o necessário é ir fazendo e acordando, devagarinho e suave tal como a luz do nascer do sol. Ilumina devagar e de forma gradual, mas o mais importante é que ilumina todos de igual

forma.

* Pe Ruben Pacheco é o mais novo sacerdote da diocese, embora já tenha um ano de ordenação. O título é da responsabilidade do Sítio Igreja Açores, a partir do texto.