A irmã Célia Faria, Religiosa de Maria Imaculada, falou com a Agência ECCLESIA sobre a saída da congregação do Convento da Esperança e da importância de zelar pela imagem do Santo Cristo.

“Eu não sou a irmã zeladora, agora estamos só duas irmãs, relacionado com esta fase de transição mas aqui cada irmã tinha a sua função, uma era ficar com esta missão de zeladora, sempre foi este rosto e esta mediação entre o Senhor Santo Cristo e o povo açoriano”, explica.

A capela do Santo Cristo, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, sempre foi espaço de peregrinação e oração, “uma devoção grande do povo açoriano”, que ali deixam muitos “pedidos de oração, fotografias, e flores” e este ano veem a festa suspensa pelo segundo ano consecutivo.

“Na sua capela tínhamos a hora de visita, a irmã zeladora era quem acolhia e recebia muitos pedidos de orações e aflições, que depois partilhava com todas, éramos esta presença, fazíamos esta ponte”.

As Religiosas de Maria Imaculada saem do Convento da Esperança no fim do mês de maio, onde estavam há mais de 60 anos, e despedem-se do Santo Cristo num ano sem festa, devido à pandemia Covid-19, “ficando um vazio”.

“Já no ano passado, quando voltei, ficámos privadas da celebração mais festiva e comunitária, com todo o povo e que é tão desejada, que aconteceria no quinto domingo da Páscoa, fica este vazio e esse desejo de o viver mais até ao nível interior, que não morra dentro de nós”, deseja.

A irmã Célia Faria partilhou ainda que “tem esperança que o Santo Cristo enviará uma nova congregação que possa dar continuidade” à dinâmica do santuário, seja o zelo da imagem mas também a “oração e acolhimento tão necessários” para quem ali chega.

“A todo o povo açoriano que sei que estão a sofrer e têm fome e sede do encontro com o Senhor Santo Cristo mais perto, dizer a todos que tenhamos esperança porque vivendo a fé a esperança vem sempre unida à fé e animar cada um a encontrar o Santo Cristo na sua oração, na sua casa, na sua família e perceber esta presença na vida do dia a dia”, afirma.

As “Conversas na ECCLESIA” ficam online às 17h00, de segunda a sexta-feira desta semana, e têm como tema as festas religiosas na diocese de Angra, nos Açores, que devido às limitações da pandemia estão suspensas.

(Com Ecclesia)