Cónego Hélder Fonseca Mendes reuniu esta semana com o Colégio de Consultores, no final de um périplo que o levou às nove ilhas açorianas com o propósito de sinalizar a proximidade ao presbitério

O Administrador Diocesano acaba de completar a volta pelas nove ilhas que compõem a diocese de Angra e esta semana fez o balanço destes contactos ao Colégio de Consultores, onde constatou a falta de “motivação” dos leigos para participar na vida da Igreja.

“Vejo algumas dificuldades que decorrem não só da vida da igreja mas da vida social. Essa tendência, que vem da sociedade civil de encontrar voluntários para assumir corpos intermédios de direção nas instituições, de um voluntariado que se comprometa verdadeiramente, é a mesma dificuldade que encontramos na Igreja” adiantou o cónego Hélder Fonseca Mendes em declarações ao programa de rádio Igreja Açores, que vai para o ar este domingo na Antena 1 Açores e no Rádio Clube de Angra, depois do meio-dia.

“Hoje temos dificuldade em reunir as nossas assembleias alargadas; é cada vez mais difícil promover ou convocar assembleias e reuniões garantindo a presença, a participação e a adesão das pessoas” enfatizou sublinhando que esta “indiferença” é maior quando se trata de assuntos que extravasam o domínio do local.

“Quanto mais distante é o assunto maior é a dificuldade das pessoas aderirem. Se é um assunto da paróquia ou da Vila há mais interesse; quanto mais remoto é o assunto há menor interesse. Ora, do ponto de vista da Caminhada Sinodal, ou do programa pastoral diocesano, isso também se reflete, agravado pela dificuldade da pandemia, desde março de 2020”, constata em declarações ao Igreja Açores.

“Não se trata de uma desculpa; a acrescer às dificuldades da vida comunitária, uma vez que as pessoas valorizam mais a sua atitude individual ou subjetiva em detrimento da comunitária, a pandemia agravou ainda mais a situação e constatei isso no terreno”, assegurou.

“Aí constato mais dificuldades que são reais, da sociedade e da vida da Igreja e não há Igreja sem esta dimensão comunitária. Este é o desafio que temos pela frente”, frisou ainda.

O Administrador Diocesano faz um balanço “positivo” dos encontros que teve desde que tomou posse a 30 de novembro,  maioritariamente com o clero,  de Santa Maria ao Corvo, onde constatou “realidades diferentes, com problemas diferentes” – desde o Corvo “que tem um padre que já tem o limite da idade mas que está cheio de determinação e de vontade de continuar a servir na comunidade; santa Maria com dois padres e Graciosa com 3; São Jorge e Faial com seis, Praia da Vitória com sete e em Angra com 25, os que estão no ativo”-, mas com “sinais muito interessantes” por parte do clero, “pelo interesse do presbitério estar presente na sua ilha, a servir as suas comunidades”.

“O balanço é positivo; vejo que é uma medida favorável de descentrar, de estar próximo e presente, saber das pessoas e das suas dificuldades”, pois “ o bem da igreja também é o bem dos padres porque são importantíssimos para a construção e a vida das comunidades”.

“Da minha parte foi muito enriquecedor poder estar com todos os senhores padres e com alguns leigos, em encontros organizados que se estenderam também a algumas organizações da sociedade civil como misericórdias, câmaras municipais ou até escolas”, referiu ainda.

O Administrador Diocesano quer agora regressar a São Miguel para se encontrar com todos os sacerdotes—os encontros que teve na maior ilha do arquipélago circunscreveram-se aos oito ouvidores- e adianta que estes encontros vão manter-se envolvendo sempre todos os serviços.

Prometida está igualmente uma formação destinada ao clero na área da educação, prevenção e acompanhamento das eventuais vítimas de abusos, a partir de março, bem como momentos de aprofundamento espiritual como sejam o retiro do Clero, no final de janeiro e na primeira semana de fevereiro e as recoleções.