Por Renato Moura

Domingo, um trecho do evangelho segundo S. Lucas volta a ensinar-nos, através de uma parábola de Jesus, como um homem, apesar de ser publicano e pecador, deter a virtude da humildade, sendo assim justificado, “porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado”.

O filósofo Immanuel Kant considerou a humildade “virtude central da vida”.

Só quem não toma a política a sério, se diverte, nas noites eleitorais, quando todos dizem que ganharam. E como consentir se os líderes das principais forças políticas tentam disfarçar os insucessos e os procuram transformar em vitórias? A humildade deveria ser uma das principais qualidades de quem exerce política, estando aberto a reconhecer as fraquezas, as limitações, os defeitos e os erros que conduziram a piores resultados. E mesmo os que se consideram vencedores – algumas vezes por escassos feitos – ultrapassam o bom senso e a sobriedade ao vangloriarem-se, assumindo por vezes altivez, soberba e arrogância!

Vejamos alguns números de eleições regionais.

O PS teve, segundo Vasco Cordeiro, “nem mais nem menos do que uma grande vitória”. Só que de 2004 (57%) a 2016 (46%) já perdeu cerca de 11% e quase 16.900 votos. O PS só teve uma maioria superior a 50%, mas o PSD teve quatro superiores a 53%.

O PSD em 2016 (31%) pior só em 2008 (30%), mas está orgulhoso das suas propostas arrojadas, realistas, galvanizadoras; e o problema estará só em fazê-las passar?! Promete “continuar a lutar” e para o futuro estabilidade, ainda com Duarte Freitas. Ou mais do mesmo?

O presidente do CDS proclama vitória “por terem considerado os nossos candidatos pessoas capazes de representar as suas ilhas” e efectivamente para a espectacular eleição de dois no círculo de compensação alguns contribuíram, ao contrário dele próprio, na sua Terceira, onde de 2008 para agora perdeu 3,8% (mais de 800 votos). Não morreu, mas debilitou. O CDS tem agora nos Açores 7,2% (6.674 votos, o pior resultado desde 1996) e em 2000 tinha 9,6% (mais de 9.600 votos).

Dos agora propalados crescimentos regionais, a CDU com 392 votos e o CDS com 564, só que o BE cresceu mais que os dois juntos (986).

Valeria a pena inverter práticas habituais, ler e interpretar bem os resultados e era sério não esconder as reais conclusões dentro das sedes. O povo gostará que as cúpulas entendam o que lhes quiseram dizer; e muitos disseram-no já; e se os políticos continuarem a recusar entender, haverá bons motivos para que, na próxima, os eleitores se sintam provocados a explicar melhor.