Arrancou na Lagoa a XXIII Semana Bíblica Diocesana, repartida entre a Lagoa e as Furnas, na ilha de São Miguel

A Bíblia é um mistério permanente e o objectivo de uma semana bíblica “não é ler os textos de fio a pavio mas facilitar a entrada  das pessoas nos textos” e, sobretudo criar “um desejo ardente de estudo da palavra de Deus”, afirmou o Pe. Francisco Ruivo, da diocese de Santarém,  no segundo dia da XXIII Semana Bíblica Diocesana, que decorre até sexta feira, na ilha de São Miguel, Açores.

Durante cinco dias (os primeiros três na lagoa e os outros dois nas Furnas), os vários grupos bíblicos da ilha e os cristãos micaelenses,   em geral, são convidados a colocar-se “Em Caminho com o Evangelho de São Marcos e com Maria na Sagrada Escritura”, o tema proposto este ano pelo Secretariado Bíblico da ilha de São Miguel.

O sacerdote de Santarém, que anima esta caminhada de leitura, centrada no Evangelho de Marcos aproveitou o primeiro dia para fazer uma série de notas introdutórias sobre os Evangelhos Sinóticos, que expõem a vida pública de Jesus e lançar alguns desafios sublinhando, em primeiro lugar,  que a riqueza dos Evangelhos decorre “da diferença entre eles”. Apesar da história ser a mesma, a personagem ser a mesma, a mesma vida, com os mesmos `atores´, “a transmissão da fé não é mecânica” e resulta do olhar de cada um, tal como a leitura que se faz de cada texto varia de pessoa para pessoa.

“O que é importante é que cada um sinta uma vontade ardente de escutar a palavra de Deus, conhecê-la e experimentá-la na sua intimidade, na intimidade com Deus”, disse o Pe. Francisco Ruivo.

“É dessa intimidade que resultará uma boa evangelização”, precisou.

Lucas, Mateus, Marcos e João “são como quatro caminhos diferentes para descobrir o mistério de Cristo”, afirmou o sacerdote sublinhando que o de Marcos é tido como “um primeiro anúncio, para aqueles que nunca haviam ouvido falar de Jesus”.

“O que Marcos nos mostra é a permanente atitude de Jesus em querer tocar no coração do Homem;  tocar o coração de cada um de nós, não no sentido exterior mas interior”, referiu o sacerdote destacando a “preocupação” de Marcos em mostrar Jesus em movimento “a anunciar um novo tempo com gestos a atitudes concretas”.

O sacerdote, que a cada passagem de leitura procura transportar o texto bíblico para a vida concreta, desafiou os cristãos atuais a fazerem a experiência de Deus tal como os primeiros que foram confrontados “com um programa que desconheciam e que era diferente de tudo” e, sobretudo “libertador”. Como? “Escutando a Sua palavra, transportando-a para o concreto da vida e anunciando-a aos outros”, como fizeram os primeiros cristãos.

“Jesus aparece em Marcos como alguém que faz caminho e é isso que nos é pedido no anuncio da fé, no concreto da vida e no quotidiano”, referiu o sacerdote lembrando que no inicio também foi assim.

“Jesus passou, chamou-os e eles seguiram-no. Mas nem todos os fizeram. É na vida concreta que temos de agir e de exprimir a nossa diferença” reconhecendo que “nem sempre é fácil”.

“A nossa história de fé e de discipulado pressupõe a escuta; é preciso escutar: eles estavam no seu trabalho,  Jesus chamou-os e eles seguiram-No. É este desafio que nos é lançado: escutarmos Jesus e segui-Lo”, conclui o sacerdote, que esta quarta-feira terminará a reflexão na lagoa. Amanhã e sexta feira, estará nas Furnas.

É a segunda vez que o biblista da diocese de Santarém anima a Semana Bíblica.

Estudou na Pontifícia Universidade Gregoriana e no Pontifício Instituto Bíblico em Roma. Frequentou ainda um curso de verão “arqueologia e geografia do povo bíblico” no Instituto Bíblico de Jerusalém. É Pároco “in solidum”, moderador, da cidade de Santarém (paróquias de São Nicolau, Santa Iria da Ribeira de Santarém, Divino Salvador e Marvila); Membro do Conselho Presbiteral e do Colégio dos Consultores; Assistente eclesiástico do Secretariado da Catequese da Infância e Adolescência e da Comissão diocesana Justiça e Paz; Vigário Forâneo (ouvidor) de Santarém.

A Semana Bíblica conta com a presença de movimentos e grupos corais da Ouvidoria da Lagoa e Povoação (nomeadamente paróquias das Furnas e Ribeira Quente) para, em cada dia, orientarem um momento de oração.