D. António Francisco dos Santos preside às Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, que se realizam este fim de semana em Ponta Delgada.

As dificuldades do mundo atual convocam todos os cristãos a serem “cireneus” dos que sofrem, “partilhando a sua dor” e “reparando a humilhação”, disse esta tarde o Bispo do Porto, durante a homilia que antecedeu o início da vigília da Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres, que está a decorrer em Ponta Delgada, até ao próximo dia 29 de maio.

 

“Quando a dor, a doença, o mal ou o sofrimento pesam sobre alguém, todos nós somos necessários e imprescindíveis como cireneus, mesmo que a nossa ajuda pareça insignificante perante a imensidão da dor”, sublinhou D. António Francisco dos Santos.

 

O responsável pela diocese do Porto lembrou que Jesus, no caminho da paixão não esteve sozinho e por isso, ninguém pode ficar abandonado.

 

“A doença, o desprezo, a indiferença, a injustiça, o luto, o desemprego e a miséria são em todos os tempos da história angustiantes e demolidores: são experiências de sofrimento e de cruz que nunca podem ser vividos sozinhas. Não deixemos sós, esquecidos ou abandonados, aqueles que sofrem”, precisou D. António Francisco dos Santos.

 

O Bispo do Porto, que se assumiu perante os fieis do Senhor Santo Cristo como um “peregrino” sublinhou, ainda, que é preciso “fixar os olhos em Jesus”, na imagem do “Ecce Hommo” que hoje, 310 anos depois voltou a sair à rua, em Ponta Delgada, acompanhado de milhares de fieis.

 

“Neste olhar sereno do Senhor Santo Cristo, a Humanidade encontra esperança para iniciar um caminho de libertação do mal” e, por isso, é preciso “olhar para Jesus e deixarmos que o seu olhar se encontre com o nosso olhar e entre no nosso coração”.

 

Visivelmente comovido “pela fé” no “Senhor das Ilhas”, D. António Francisco dos Santos invocou a sua condição de “peregrino”.

 

“Nesta tarde santa, faço minha a vossa oração. Sou irmão convosco. Fazei vossa a minha fé. Venho rezar ao Senhor Santo Cristo e trazer-lhe lágrimas de vosso olhar, preces do vosso coração e a gratidão de graças alcançadas. Sou peregrino convosco”, concluiu.

 

Assumindo a condição de fiel ao Senhor Santo Cristo, o Prelado Diocesano do Porto pediu a Deus “menos pobreza e menos fome”,  “mais trabalho”, “maior respeito pela dignidade humana e pela vida”, “maior harmonia nas famílias” e um sentido “ de caridade diferente”.

 

O Bispo do Porto, nomeado pelo Papa a 21 de fevereiro deste ano, é o convidado de honra das Festas do Senhor Santo Cristo, que se iniciaram esta sexta feira, em Ponta Delgada.

 

Hoje viveram um momento de particular intensidade com a “entrega” da imagem do Senhor à Irmandade, que zelará por ela até amanhã ao fim do dia, depois da imagem voltar pela terceira vez à rua, para percorrer as principais artérias da cidade de Ponta Delgada, na solene procissão onde se juntam fieis devotos e responsáveis políticos, sociais e eclesiais, numa das maiores manifestações de fé do povo açoriano e que, este ano, propõe “Um encontro com a esperança”.

 

O Bispo do Porto presidirá, ainda, à missa campal, que se realiza no Campo de São Francisco este domingo, a partir das 10h00, com transmissão direta na rádio e televisão públicas, RDP, RTP e RTP Internacional.

 

O novo responsável pela diocese nortenha foi bispo de Aveiro e elegeu como prioridade para o seu episcopado no Porto uma “presença junto dos doentes, dos pobres e dos que sofrem” para procurar fazer um “caminho de bondade e de esperança na busca comum de um mundo melhor”.