Cardeal Christoph Schönborn revela que relatório final procura «consenso» e «critérios» de ação

O cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, disse hoje no Vaticano que o Sínodo dos Bispos sobre a família propõe critérios de “discernimento” sobre situações como as dos divorciados em segunda união.
Em conferência de imprensa, o presidente da Conferência Episcopal da Áustria referiu que o relatório final da assembleia, com votação marcada para esta tarde, “dá critérios não só para a questão do acesso aos Sacramentos mas para o acompanhamento de situações que o Catecismo chama irregulares”.
Especificamente sobre os divorciados que voltaram a casar civilmente, os participantes falaram “com grande atenção”, sem tocar a questão do acesso à Comunhão de forma “direta”, “mas a palavra chave é discernimento”.
“Não há preto e branco, um siples sim ou não, é preciso discernir, como dizia São João Paulo II no número 84 da Familiaris Consortio”, acrescentou.
Esta apresentação traz “critérios fundamentais” para o “discernimento das situações” que são em muitos casos “tremendamente diferentes”, sem as “julgar”.
O cardeal Raymundo Damasceno Assis, presidente-delegado do Sínodo 2015, também confirmou aos jornalistas esta preocupação com o “discernimento”, porque “cada situação é muito própria, muito concreta”, podendo “chegar até uma Comunhão plena” com a Igreja.
Para D. Christoph Schönborn, o essencial deste processo é o “grande sim à família” que foi dado pela Igreja, após 1,2 milhões de católicos terem debatido o tema durante dois anos, com os seus aspetos “positivos” e “difíceis”, “um facto notável para o nosso tempo”.
“O êxito deste Sínodo para mim é um grande sim à família, que não é um modelo ultrapassado”, insistiu.
Para o cardeal austríaco, filho de pais divorciados, “não há rede mais segura, em tempos difíceis, do que a família, mesmo a família ferida, recomposta”.
Ainda em relação ao relatório final, um “documento de consenso”, D. Christoph Schönborn adiantou que não haverá “muito sobre a homossexualidade neste documento”, admitindo que “alguns ficarão desiludidos”.
O tema é “abordado sobre o aspeto da família, em que se faz a experiência de ter um familiar que é homossexual”.
O arcebispo de Viena realçou que este é um “tema demasiado delicado” para alguns contextos “culturais e políticos” e que, para a Igreja, a definição da família é “muito clara”, exigindo a relação “homem e mulher”, “fiel” e “aberta à vida”.
Esta definição não exclui “situações de recomposição familiar”, mas permanece sempre como o “núcleo” do ensinamento católico.
O cardeal Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida (Brasil), elogiou a metodologia “diferente” desta assembleia sinodal, em que se deu muita importância aos trabalhos de grupo, com participação “muito maior” de todos, ajudando a encontrar o maior consenso possível.
O mesmo responsável precisou, por outro lado, que a “descentralização” na experiência da vida da Igreja, sobretudo na América Latina, não significou, de forma alguma, “nacionalizar ou continentalizar” a Igreja Católica.
O cardeal Schönborn falou da nova metodologia como um “ganho” deste Sínodo, permitindo que se chegasse ao final dos trabalhos com um bom ambiente.
CR/Ecclesia