Por Renato Moura

Poucos são aqueles que têm a felicidade de chegar aos cem anos de vida. A provecta idade foi recentemente atingida por Armando de Freitas Amaral.

Os seus inúmeros amigos não festejaram apenas a longevidade em si mesma, mas a manutenção da sua lucidez, bem como o interesse vigilante para os factos da vida colectiva e sobretudo para as causas importantes e justas.

Honra-se de ser um cidadão do Faial. Lá exerceu diversas funções com ligação à causa pública e católica. Reside na ilha Terceira há muitos anos, onde foi homenageado pela Freguesia da Sé, em Angra do Heroísmo, pela sua longevidade e exemplo de vida. Foi agraciado pela Região Autónoma dos Açores com a Insígnia Autonómica de Mérito Cívico.

Por ocasião do seu 100.º aniversário publicou mais um livro, este intitulado «De Jornais a Livro», com o qual presenteou os amigos. Trata-se de uma obra com quase 350 páginas, mas ainda assim contendo apenas uma parte das peças que como jornalista e cronista publicou, quando Director Adjunto do Jornal «Correio da Horta» e ao longo da vida em muitos dos mais prestigiados jornais, na esmagadora maioria das ilhas dos Açores.

Bastariam as obras anteriores do autor para testemunhar a qualidade formal e literária da sua escrita. Porém, para quem dirigiu ou escreveu para jornais, o “De Jornais a Livro” diz mais por comparação com os anteriores: as peças trazem a oportunidade do evento, têm o sentimento da ocasião, o cheiro do lugar; estão recheadas de conteúdo e de pormenores que deliciaram os leitores.

O livro assegura o registo de acontecimentos, relevantes ou curiosos, para a história açoriana. Garante viva a recordação de homens e mulheres, dos célebres como dos humildes, que o tempo e o esquecimento tenderiam a apagar.

Militante esclarecido e activo do CDS. Mas importante é a postura do Homem. O relevante é a disponibilidade para trabalhar, servir como dirigente, sempre sem lutar ou sequer aspirar a lugares de relevo no Partido e muito menos a posições em listas que o pudessem alcandorar a cargos políticos. É essa modéstia e nobre humildade que, lamentavelmente, nos últimos tempos, não servem como valioso exemplo, desde logo no seu partido; e infelizmente em outros também não.

Quero também realçar a virtude humana que exala deste livro. Está nele evidente como o Senhor Amaral – como é conhecido – católico convicto e Ministro Extraordinário da Comunhão, sempre defendeu as suas convicções religiosas e políticas, mas sempre respeitou as pessoas independentemente das suas diferentes opções.